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Forças britânicas entram em ação na Líbia, anuncia Cameron

19 mar 2011
17h15
atualizado em 22/3/2011 às 12h33

A Força Aérea britânica entrou neste sábado em ação na Líbia dentro da operação internacional contra o regime do líder Muammar Kadafi, anunciou o primeiro-ministro David Cameron, em uma declaração feita em frente a Downing Street. "As forças britânicas entraram em ação sobre a Líbia. Fazem parte de uma coalizão internacional para colocar em prática a vontade das Nações Unidas. Todos vimos a brutalidade atroz aplicada pelo coronel Kadafi contra seu próprio povo", disse Cameron.

David Cameron fala à imprensa, em Londres, confirmando a ação das forças aéreas britânicas na Líbia
David Cameron fala à imprensa, em Londres, confirmando a ação das forças aéreas britânicas na Líbia
Foto: AP

Após presidir uma reunião de emergência de seu gabinete de crise, Cameron afirmou que a ação militar é "necessária, legal e justa". "É necessária porque, junto a outros, deveríamos estar tentando prevenir que (Kadafi) empregue suas forças militares contra seu próprio povo. É legal porque temos o respaldo do Conselho de Segurança da ONU, e é justa porque achamos que não podemos ficar apenas observando enquanto esse ditador massacra seu próprio povo", explicou o primeiro-ministro, que considerou a medida de interesse da população britânica.

"Acho que todos devemos ter a segurança que o que estamos fazendo é uma causa justa e por nosso interesse nacional", acrescentou. Antes, Cameron havia dito que Kadafi rompeu o cessar-fogo anunciado na sexta-feira, horas depois da aprovação da resolução do Conselho de Segurança da ONU que autorizava o uso da força, e que, portanto, o líder líbio deveria assumir as consequências. "Chegou a hora da ação", manifestou o primeiro-ministro após a cúpula de líderes mundiais realizada neste sábado em Paris.

Em seu discurso, Cameron, que foi um dos mais firmes defensores da ação militar para evitar a repressão pela força da rebelião contra Kadafi, fez também uma menção especial aos soldados britânicos envolvidos. "Hoje, nossos pensamentos estão com aqueles de nossas forças armadas que estão arriscando suas vidas para salvar as vidas de outros. São os mais valentes entre os valentes", declarou. Cameron afirmou ainda que o Governo confirmou com o procurador-geral, Dominic Grieve, a legalidade da ação internacional e ressaltou que "há uma base legal inequívoca para o desdobramento (no Mediterrâneo) de forças e ativos militares do Reino Unido".

Cindida entre rebeldes e forças de Kadafi, Líbia mergulha em guerra civil
Motivados pela onda de protestos que levaram à queda os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em meados de fevereiro para contestar o líder Muammar Kadafi, no comando do país desde a revolução de 1969. Entretanto, enquanto os casos tunisiano e egípcio evoluíram e se resolveram principalmente por meio protestos pacíficos, a situação da Líbia tomou contornos bem distintos, beirando uma guerra civil.

Após semanas de violentos confrontos diários em nome do controle de cidades estratégicas, a Líbia se encontrava atualmente dividida entre áreas dominadas pelas forças de Kadafi e redutos da resistência rebeldes. Mais recentemente, no entanto, os revolucionários viram seus grandes avanços a locais como Sirte e o porto petrolífero de Ras Lanuf serem minados no contra-ataque de Kadafi, que retomou áreas no centro da Líbia e se aproxima das portas de Benghazi, a capital da resistência rebelde, no leste líbio.

Essa contra-ofensiva governista mudou a postura da comunidade internacional. Até então adotando medidas mais simbólicas que efetivas, ao Conselho de Segurança da ONU aprovou em 17 de março a determinação de uma zona de exclusão aérea na Líbia. A iminência de uma interferência internacional, muitas vezes requisitada pela resistência rebelde, fez com que Kadafi anunciasse um cessar-fogo, mas confrontos persistem. Mais de mil pessoas morreram, e dezenas de milhares já fugiram do país.

EFE   

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