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Existe uma linha tênue entre liberdade e caos, diz Mubarak

28 jan 2011
20h19
atualizado às 21h32

Em pronunciamento realizado na TV estatal depois de um dia intensos protestos e mortes, o presidente do Egito, Hosni Mubarak, disse ter demitido o seu governo, mas afirmou que se manterá no poder. Em sua fala, ele ressaltou também que existe uma linha tênue entre liberdade e caos. "Não serei tolerante. Seguirei os passos para manter a segurança dos egípcios. Esta é a responsabildiade que assumi", disse o líder do país.

Foi a primeira vez que Mubarak, 82 anos, se pronunciou desde o início da intensificação dos protestos, na última terça. Ao falar "não só como presidente, mas também como egípcio", o presidente há 30 anos no poder disse que vai trabalhar "medidas democráticas", reformas políticas, econômicas e sociais formando um novo governo neste sábado. Em seu breve discurso, ele ainda defendeu a ação da polícia contra os manifestantes.

Nos confrontos de hoje, pelo menos 29 pessoas morreram em todo o país, sendo que 13 em Suez. Mubarak lamentou as "vítimas inocentes" de ambos os lados, mas disse que defenderá a "estabilidade e a segurança" no Egito. "Eu ficarei ao lado da liberdade dos cidadãos", afirmou, pedindo, no entanto, que os "egípcios não sigam o exemplo de outros", em uma clara referência à Tunísia.

Ele descreveu os protestos como um plano para desestabilizar o Egito e destruir a legitimidade do seu regime. "Eu asseguro que estou trabalhando pelo povo e garantindo a liberdade de opinião desde que a lei seja respeitada. "Há uma linha muito tênue entre a liberdade e o caos. Nós temos que ser cuidadosos sobre qualquer coisa que nos leve ao caos. Não haverá democracia se houver caos", afirmou.

"Estou consciente das aspirações em favor de mais democracia, do combate ao desemprego, da luta contra a pobreza e do combate à corrupção", afirmou Mubarak. "Mas os objetivos buscados não podem ser conseguidos pela violência, mas pelo diálogo nacional e esforços que unam as partes". Além disso, ele fez um pedido especial aos jovens "para que trabalhem pelo interesse do povo". "Incendiando os bens não é possível satisfazer as aspirações das pessoas", acrescentou.

Enquanto fazia Mubarak fazia seu pronunciamento na TV Nilo, a agência de notícias Reuters anunciava que as Forças Armadas tomavam o controle da praça Tahrir, a principal do Cairo, e que os manifestantes se afastavam para as ruas laterais, descumprindo o toque de recolher anunciado mais cedo pelas autoridades. Segundo a rede de TV Sky News, pelo menos 22 tanques estavam na praça durante o discurso.

Violência nas ruas
Os protestos no Egito se intensificaram na última terça-feira, o "Dia da Ira", mas foi hoje o dia de maior tensão no país. Já na madrugada, os egípcios receberam a notícia de que o governo suspendia temporariamente a internet, visando prejudicar a comunicação dos manifestantes. Até agora, a rede mundial de computadores vinha sendo a principal forma de mobilização das massas.

À tarde, o líder oposicionista Mohamad ElBaradei - que na quinta-feira regressou ao Egito - participou de uma oração coletiva com 2 mil egípcios em uma mesquita no Cairo. Pouco depois, quando se ensaiava mais uma manifestação contra o governo, autoridades detiveram ElBaradei dentro do local, impedindo-o de prosseguir com o povo.

No decorrer do dia, os protestos tomaram corpo. Dezenas de milhares de egípcios saíram às ruas das principais cidades do país, dando novo vulto à onda de revolta. Confrontos foram registrados entre os manifestantes, cada vez em maior número, e a polícia, que não conseguia conter as manifestações. Em resposta às massas, o presidente Hosni Mubarak anunciou um toque de recolher na capital Cairo e nas cidades de Alexandria e Suez.

A medida não surtiu efeito. Os protestos prosseguiram e chegaram à sede do partido de Mubarak, o Partido Nacional Democrático. O prédio foi parcialmente incendiado, e manifestantes tentaram invadi-lo. Ao menos um carro das forças de segurança também foi queimado.

À medida que a tensão crescia, a Secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, fez um pronunciamento em Washington, no qual ela defendeu o direito da manifestação democrática. "Estamos seguindo de perto a situação no Egito. Pedimos que as autoridades mantenham a calma e permitam manifestações pacíficas", assinalou ela. Antes disso, a ONU já havia se pronunciado temendo a escalada dos conflitos.



Fonte: Terra

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