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Exército de Omã tenta dispersar protestos e deixa um ferido

1 mar 2011
15h40
atualizado às 16h39

Soldados de Omã dispararam para o alto perto de um porto na terça-feira a fim de dispersar os protestos que exigiam empregos e reformas políticas, ferindo uma pessoa na cidade de Sohar, disseram testemunhas.

"Éramos entre 200 e 300 pessoas na via. O Exército começou a atirar para o alto", disse um manifestante de Sohar, recusando-se a fornecer seu nome. "Muitas pessoas correram. O homem que foi baleado veio para acalmar o Exército."

A multidão se dispersou, mas se reagrupou perto do porto, no norte de Omã, contaram as testemunhas, e as tropas recuaram.

O levante em Sohar, principal centro industrial de Omã, foi uma manifestação rara de insatisfação no normalmente tranquilo país do Golfo Pérsico, governado pelo sultão Qaboos bin Said há quatro décadas. A manifestação ocorre na esteira de uma onda de protestos pró-democracia que varre o mundo árabe.

Na tentativa de reduzir a tensão, o sultão prometeu no domingo a criação de 50 mil empregos, seguro-desemprego de 390 dólares mensais e estudar a ampliação dos poderes de um conselho consultivo quase-parlamentar.

Depois do confronto em Sohar, o tráfego fluía livremente na região do porto, que exporta 150 mil barris diários de produtos refinados do petróleo, apesar da presença de cerca de 150 manifestantes. Na segunda-feira, os manifestantes haviam bloqueado a entrada ao porto.

As tropas omanis foram enviadas para a cidade anteriormente, mas até terça-feira não haviam agido para conter os protestos.

O Departamento de Estado norte-americano disse na segunda-feira, o mesmo dia em que os protestos de Sohar se espalharam para Mascate, que Washington estimulava a moderação e o diálogo em Omã, país de importância estratégica porque está de frente para o Irã, arqui-inimigo dos EUA, depois do Mar da Arábia.

Omã tem fortes laços militares e políticos com os EUA e é um exportador de petróleo não ligado à Opep que extrai cerca de 850 mil barris por dia.

Mundo árabe em convulsão
A onda de protestos que desbancou em poucas semanas os longevos governos da Tunísia e do Egito segue se irradiando por diversos Estados do mundo árabe. Depois da queda do tunisiano Ben Alie do egípcio Hosni Mubarak, os protestos mantêm-se quase que diariamente e começam a delinear um momento histórico para a região. Há elementos comuns em todos os conflitos: em maior ou menor medida, a insatisfação com a situação político-econômica e o clamor por liberdade e democracia; no entanto, a onda contestatória vai, aos poucos, ganhando contornos próprios em cada país e ressaltando suas diferenças políticas, culturais e sociais.

No norte da África, a Argélia vive - desde o começo do ano - protestos contra o presidente Abdelaziz Bouteflika, que ocupa o cargo desde que venceu as eleições, pela primeira vez, em 1999; mais recentemente, a população do Marrocos também aderiu aos protestos, questionando o reinado de Mohammed VI. A onda também chegou à península arábica: na Jordânia, foi rápida a erupção de protestos contra o rei Abdullah, no posto desde 1999; já ao sul da península, massas têm saído às ruas para pedir mudanças no Iêmen, presidido por Ali Abdullah Saleh desde 1978, bem como em Omã, no qual o sultão Al Said reina desde 1970.

Além destes, os protestos vêm sendo particularmente intensos em dois países. Na Líbia, país fortemente controlado pelo revolucionário líder Muammar Kadafi, a população vem entrando em sangrento confronto com as forças de segurança, já deixando um saldo de centenas de mortos. Em meio ao crescimento dos protestos na capital Trípoli e nas cidades de Benghazi e Tobruk, Kadafi foi à TV estatal no dia 22 de feveiro para xingar e ameaçar de morte os opositores que desafiam seu governo. Na península arábica, o pequeno reino do Bahrein - estratégico aliado dos Estados Unidos - vem sendo contestado pela população, que quer mudanças no governo do rei Hamad Bin Isa Al Khalifa, no poder desde 1999.

Além destes países árabes, um foco latente de tensão é a república islâmica do Irã. O país persa (não árabe, embora falante desta língua) é o protagonista contemporâneo da tensão entre Islã/Ocidente e também tem registrado protestos populares que contestam a presidência de Mahmoud Ahmadinejad, no cargo desde 2005. Enquanto isso, a Tunísia e o Egito vivem os lento e trabalhoso processo pós-revolucionário, no qual novos governos vão sendo formados para tentar dar resposta aos anseios da população.

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