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Erdogan ameaça recorrer a Otan para proteger fronteira turca

11 abr 2012 19h00
| atualizado às 19h19
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O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou nesta quarta-feira que a Turquia poderá invocar o artigo 5 da Otan para proteger sua fronteira com a Síria, depois de disparos feitos do território sírio terem deixado feridos em solo turco, informou o jornal Today's Zaman. "A Otan tem a responsabilidade de proteger as fronteiras turcas", disse Erdogan a um grupo de jornalistas durante uma visita à China, lembrando o artigo da Aliança em que diz que um ataque a um de seus membros constitui um ataque a todos os seus membros.

Erdogan referiu-se aos recentes disparos do território sírio que feriram quatro civis sírios e dois turcos em um campo de refugiados próximo à fronteira entre ambos os países. Segundo testemunhos à AFP, dois dos sírios feridos morreram posteriormente. Este é o primeiro incidente deste tipo desde o começo da revolta contra o regime de Damasco, em meados de março de 2011. Depois do incidente, Erdogan garantiu que se tratava de uma "clara violação da fronteira".

Damasco de Assad desafia oposição, Primavera e Ocidente
Após derrubar os governos de Tunísia e Egito e de sobreviver a uma guerra na Líbia, a Primavera Árabe vive na Síria um de seus episódios mais complexos. Foi em meados do primeiro semestre de 2011 que sírios começaram a sair às ruas para pedir reformas políticas e mesmo a renúncia do presidente Bashar al-Assad, mas, aos poucos, os protestos começaram a ser desafiados por uma repressão crescente que coloca em xeque tanto o governo de Damasco como a própria situação da oposição da Síria.

A partir junho de 2011, a situação síria, mais sinuosa e fechada que as de Tunísia e Egito, começou a ficar exposta. Crise de refugiados na Turquia e ataques às embaixadas dos EUA e França em Damasco expandiram a repercussão e o tom das críticas do Ocidente. Em agosto a situação mudou de perspectiva e, após a Turquia tomar posição, os vizinhos romperam o silêncio. A Liga Árabe, principal representação das nações árabes, manifestou-se sobre a crise e posteriormente decidiu pela suspensão da Síria do grupo, aumentando ainda mais a pressão ocidental, ancorada pela ONU.

Mas Damasco resiste. Observadores árabes foram enviados ao país para investigar o massacre de opositores, sem surtir grandes efeitos. No início de fevereiro de 2012, quando completavam-se 30 anos do massacre de Hama, as forças de Assad iniciaram uma investida contra Homs, reduto da oposição. Pouco depois, a ONU preparou um plano que negociava a saída pacífica de Assad, mas Rússia e China vetaram a resolução, frustrando qualquer chance de intervenção, que já era complicada. De acordo com cálculos de grupos opositores e das Nações Unidas, pelo menos 9 mil pessoas já morreram desde o início da crise Síria.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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