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Egito: presidente amplia toque de recolher a todo país

28 jan 2011
15h59
atualizado às 19h49

O presidente Hosni Mubarak ampliou nesta sexta-feira o toque de recolher em todo o Egito, cerca de duas horas depois de um primeiro decreto que impunha a medida às cidades do Cairo, Alexandria e Suez, informou a emissora estatal.

Mubarak mobilizou o exército para conter a onda de protesto popular já violentamente reprimida, que deixou nesta sexta-feira pelo menos um morto, o oitavo em quatro dias de manifestações.

Dezenas de milhares de egípcios responderam ao apelo a participar do "Dia de Ira" à saída das mesquitas depois das orações de sexta-feira para pedir o fim do regime de Mubarak, no poder há 30 anos.

O toque de recolher entra em vigor nesta sexta-feira às 18h locais (14h de Brasília) e vai até as 07h, até nova ordem.

O presidente Mubarak "pediu às Forças Armadas, em cooperação com a polícia, que apliquem a decisão, mantenham a segurança e protejam os estabelecimentos públicos e as propriedades privadas", segundo a televisão.

No Cairo, duas delegacias foram incendiadas, assim como a sede do partido no poder, com a multidão enfrentando a pedradas as forças de segurança, que usaram granadas de gás lacrimogêneo, jatos d''água e balas de borracha para tentar dispersá-la.

Em Suez, manifestantes se apoderaram das armas de uma delegacia, pondo fogo no prédio, em seguida.

Uma pessoa morreu durante os incidentes nessa cidade junto ao Canal.

O tumulto já deixou oito mortos e deenas de heridos. Cerca de mil pessoas haviam sido detidas até a manhã desta sexta-feira.

O protesto está inspirado na "Revolução dos jasmins", um levantamento popular que derrubou neste mês o presidente tunisiano Ben Ali, no poder havia 23 anos, e gerou uma onda de contestação em todo o mundo árabe.

Mubarak, de 82 anos, absteve-se, até agora, de qualquer comentário público sobre a situação. O presidente da Comissão de Relações Exteriores da Assembleia, também membro do Partido Nacional Democrata no poder, pediu nesta sexta-feira ao presidente empreender "reformas sem precedentes" para evitar uma "revolução".

"Em nenhuma parte do mundo a segurança é capaz de pôr fim à revolução", disse Mustafá Al Fekki à televisão Al-Jazeera . O opositor e Prêmio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, que se disse disposto a liderar um governo de transição, também participou de manifestações no Cairo.

A jornada recebeu apoio da Irmandade Muçulmana, principal força da oposição, que até agora apoia sem grande entusiasmo as marchas convocadas por núcleos de jovens com aspirações democráticas.

O presidente americano, Barack Obama, disse nesta quinta-feira que "a violência não é uma é uma solução para os problemas do Egito". Nesta sexta-feira, a Casa Branca considerou a situação "profundamente preocupante" e pediu ao governo egípcio o "respeito aos direitos fundamentais, para evitar a violência e permitir as comunicações".

Neste mesmo sentido se expressão nesta sexta-feira o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e a chefe do governo alemão, Angela Merkel. As conexões à internet - um instrumento que desempenhou papel essencial na organização dos protestos - foram cortadas em todo o país.

"Em uma ação sem precedentes na história da internet, o governo egípcio parece ter dado ordem aos provedores de cortar todas as conexões internacionais à web", escreveu em seu blog James Cowie, da Renesys, uma companhia de New Hampshire (EUA) que monitora a transmissão de dados pela internet em tempo real.

Todos os operadores de telefonia celular presentes no Egito "receberam ordem de suspender seus serviços em algumas zonas selecionadas", denunciou nesta sexta-feira, em comunicado, em Londres, o gigante britânico das telecommunicações Vodafone.

Protestos
Nesta sexta, manifestantes atearam fogo na sede do governo em Alexandria, no quarto dia de mobilização contra o regime de Mubarak. Ao menos três pessoas morreram nos confrontos. Os 3 mortos são civis que participavam das manifestações ao redor da praça Tahrir, epicentro dos protestos políticos dos últimos dias e que está cercada pela polícia.

Um quarto manifestante morreu na cidade egípcia de Suez em choques com a polícia, segundo testemunhas.



AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 

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