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Egito nomeia 1º vice em 30 anos; chefe militar é novo premiê

29 jan 2011
13h43
atualizado às 14h47

O general Ahmed Shafiq, até agora ministro de Aviação Civil, recebeu neste sábado a missão de formar um novo governo no Egito, informou a televisão pública. Shafiq substitui no cargo Ahmed Nazif, que apresentou sua renúncia a pedido do presidente Hosni Mubarak. Já o chefe dos serviços de Inteligência do Egito, general Omar Suleiman, tomou posse neste sábado como novo vice-presidente do país, cargo que estava vacante desde que o líder Hosni Mubarak assumiu o poder em 1981.

A televisão mostrou imagens em que Suleiman jurava o cargo, em frente a Mubarak, que mostrava sinais de cansaço. Os decretos de nomeação de Shafiq e de Suleiman ocorrem em um momento de profunda instabilidade política no Egito. Mubarak, de 82 anos, está acossado por uma revolta popular desde terça-feira passada. Mubarak, que até 1981 foi vice-presidente do líder assassinado Anwar el-Sadat, tinha deixado o cargo vacante quando assumiu a Presidência, o que poderia representar riscos constitucionais em caso de renúncia ou morte do chefe de Estado.

A designação de Shafiq e de Suleiman neste sábado ocorre cinco dias depois de os cidadãos se lançarem às ruas para reivindicar reformas políticas e a renúncia de Mubarak. "Juro preservar o regime democrático republicano e a Constituição, os interesses do povo, a estabilidade da pátria e a integridade territorial", afirmou Suleiman, cujo juramento foi retransmitido pela televisão pública.

Suleiman era um dos possíveis candidatos à sucessão de Mubarak, de quem era um de seus principais assistentes. Outro dos favoritos era o filho mais novo de Mubarak, Gamal, mas esta herança do poder ficou praticamente descartada a partir das revoltas políticas que eclodiram na terça-feira, segundo os analistas. O general Suleiman exerceu um papel-chave em importantes gestões do governo do Cairo, como a reconciliação interpalestina e as gestões para libertar o soldado israelense Gilat Shalit, aprisionado por grupos palestinos em Gaza.

Devido à confusão nas ruas do país, não há ainda um dado oficial sobre o número de mortos durantes os protestos. De acordo com o Ministério da Saúde egípcio, o total chega a 38, mas informações de médicos, hospitais e testemunhas apontam para 74 mortos, segundo a Reuters..

Egípcios desafiam governo Mubarak
A onda de protestos dos egípcios contra o governo do presidente Hosni Mubarak, iniciados no dia 25 de janeiro, tomou nova dimensão na última sexta-feira. O governo havia tentado impedir a mobilização popular cortando o sinal da internet no país, mas a medida não surtiu efeito. No início do dia dia, dois mil egípcios participaram de uma oração com o líder oposicionista Mohama ElBaradei, que acabou sendo temporariamente detido e impedido de se manifestar.

Os protestos tomaram corpo, com dezenas de milhares de manifestantes saindo às ruas das principais cidades do país - Cairo, Alexandria e Suez. Mubarak enviou tanques às ruas e anunciou um toque de recolher, o qual acabou virtualmente ignorado pela população. Os confrontos com a polícia aumentaram, e a sede do governista Partido Nacional Democrático foi incendiada.

Já na madrugada de sábado (horário local), Mubarak fez um pronunciamento à nação no qual ele disse que não renunciaria, mas que um novo governo seria formado em busca de "reformas democráticas". Defendeu a repressão da polícia aos manifestantes e disse que existe uma linha muito tênue entre a liberdade e o caos. A declaração do líder egípcio foi seguida de um pronunciamento de Barack Obama, que pediu a Mubarak que fizesse valer sua promessa de democracia. O governo encabeçado por Ahmed Nazif confirmou sua renúncia na manhã de sábado.



Manifestante beija militar em Cairo
Manifestante beija militar em Cairo
Foto: AP
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