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Corpo de ex-ministro de Kadafi é encontrado no rio Danúbio

29 abr 2012
16h04
atualizado às 17h59

O corpo do ex-ministro líbio do Petróleo e desertor do regime deposto do ex-ditador Muammar Kadafi, Choukri Ghanem, morto neste domingo em Viena, onde ele estava exilado, foi encontrado no rio Danúbio, informou a polícia austríaca. O cadáver do homem de 69 anos foi encontrado no rio no início da manhã, segundo um comunicado das forças policiais.

Choukri Ghanem, em foto de arquivo, durante visita à Tunísia em 2005
Choukri Ghanem, em foto de arquivo, durante visita à Tunísia em 2005
Foto: AFP

Não foram encontrados sinais de violência no corpo, informou o porta-voz da polícia, Roman Hahslinger, segundo quem "é possível que ele tenha se sentido mal e caído na água". Uma autópsia será realizada para determinar a causa da morte.

Mais cedo, a agência de notícias austríaca APA havia reportado que Ghanem fora encontrado morto em seu apartamento, após aparentemente ter sofrido um ataque cardíaco. A fonte baseou a notícia nas declarações de um especialista islâmico, Amer al-Bayati, que por sua vez citou a família de Ghanem. Segundo Al Bayati, também citando familiares do ex-ministro, o funeral poderá ser celebrado na Líbia.

Choukri Ghanem foi chefe de governo na Líbia entre 2003 e 2006 e ministro do Petróleo, além de presidente da sociedade estatal petroleira líbia de 2006 a 2011. Ele rompeu com o regime de Kadafi em maio de 2011 e se instalou em Viena, cidade que conhecia bem por ter participado ali de diversas reuniões da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), cuja sede fica na capital austríaca, onde também morou entre 1993 e 2001, quando foi diretor da divisão de pesquisas do cartel.

Depois, retornou à Líbia, onde foi ministro da Economia antes de ser nomeado primeiro-ministro, em junho de 2003. Em 2006, ao assumir a pasta do Petróleo, também foi indicado presidente da estatal Corporação Nacional do Petróleo líbia. No auge da crise na Líbia, ele cruzou de carro a fronteira com a vizinha Tunísia em meados de maio de 2011 e se tornou um dos oficiais de mais alto escalão a abandonar o regime.

Em junho do ano passado, ele anunciou sua deserção por meio da agência de notícias italiana Ansa, afirmando ter deixado seu país natal "para se unir à escolha feita pelos jovens líbios para lutar por um país democrático". No entanto, Ghanem negou qualquer envolvimento com o Conselho Nacional de Transição (CNT), que atua como governo interino da Líbia. Ao invés disso, buscou refúgio em Viena.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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