
O Brasil foi sondado para integrar uma eventual missão de observadores militares na Síria, disse nesta sexta-feira o chanceler Antonio Patriota, que pediu às autoridades sírias que cumpriam com o acordo mediado pela ONU para por fim aos conflitos que já duram mais de 13 meses. Uma equipe de sete observadores está no país verificando o cumprimento de um frágil cessar-fogo entre forças do presidente sírio, Bashar al-Assad, e manifestantes contrários ao governo.
Apesar do plano, mediado pelo enviado Kofi Annan, a violência continua no país. Nesta sexta-feira, dia de orações para muçulmanos, ao menos 23 pessoas morreram. "Sondagens estão sendo feitas por enquanto no sentido de participarmos de uma força de observação militar na Síria", disse Patriota a jornalistas. "Consideraremos com cuidado qualquer solicitação (formal) que venha ser feita", acrescentou.
"Mas é muito importante que as autoridades sírias cumpram com o acordado e criem as condições para o posicionamento desses observadores independentemente da participação brasileira." O governo sírio se opôs à criação de um grupo de observadores superior a 250, como havia sugerido Annan, e declarou ter preferência a monitores de "países neutros", entre os quais o Brasil, que tem adotado uma postura mais discreta na questão, ao contrário de outros países ocidentais e os da Liga Árabe.
A China, outro país citado pelo governo sírio, disse estar "estudando seriamente" a ideia. Na próxima semana, um adicional de 30 monitores da Organização das Nações Unidas (ONU) deve chegar à Síria. "Apesar dos desenvolvimentos preocupantes desta semana, acreditamos que a melhor opção à nossa disposição ainda é o plano do ex-secretário-geral (da ONU) Kofi Annan... para abrir caminho aos observadores miltares", disse Patriota.
A missão de monitoramento da ONU é considerada a última chance para evitar uma guerra civil na Síria. Assad, que está há 12 anos no poder, tem determinado o envio de tanques e soldados para dispersar os protestos contra seu governo, que começaram pacificamente há um ano, mas acabaram se militarizando.

