atualizado às 10h26

Autoridades sírias libertam 30 detidos envolvidos na revolta

 

As autoridades sírias libertaram 30 detidos envolvidos na revolta popular contra o regime do presidente Bashar al-Assad que não tinham "as mãos manchadas de sangue", anunciou neste sábado a agência oficial Sana.

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Já a organização Anistia Internacional está preocupada pelo destino do cardiologista Mahmud al Rifai, detido no dia 16 de fevereiro por tratar manifestantes feridos, assim como do militante de direitos humanos Mohammed al-Amar, que estaria detido desde 19 de março. Todos provavelmente foram torturados.

O plano para pôr fim à crise, defendido pelo emissário internacional Kofi Annan e aceito por Damasco, também prevê um cessar-fogo, oficialmente em vigor desde 12 de abril, e a libertação de detidos pela revolta iniciada em março de 2011.

Segundo a Sana, 4 mil prisioneiros já foram libertados desde novembro de 2011.

A agência também informa que um "grupo terrorista armado" causou a explosão neste sábado ao amanhecer de um oleoduto perto de Abu Hamam, na província de Deir Ezzor (leste), provocando um incêndio.

Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), as forças governamentais realizaram neste sábado inspeções e detenções na província de Deraa (sul), onde foram ouvidos tiros.

Autoridades e opositores se acusam mutuamente de violar diariamente o cessar-fogo que entrou em vigor no dia 12 de abril. Na sexta-feira, a violência deixou 46 mortos, 29 deles civis, cinco dias após a chegada dos primeiros observadores enviados pela ONU para vigiar a trégua, segundo o OSDH.

Damasco de Assad desafia oposição, Primavera e Ocidente
Após derrubar os governos de Tunísia e Egito e de sobreviver a uma guerra na Líbia, a Primavera Árabe vive na Síria um de seus episódios mais complexos. Foi em meados do primeiro semestre de 2011 que sírios começaram a sair às ruas para pedir reformas políticas e mesmo a renúncia do presidente Bashar al-Assad, mas, aos poucos, os protestos começaram a ser desafiados por uma repressão crescente que coloca em xeque tanto o governo de Damasco como a própria situação da oposição da Síria.

A partir junho de 2011, a situação síria, mais sinuosa e fechada que as de Tunísia e Egito, começou a ficar exposta. Crise de refugiados na Turquia e ataques às embaixadas dos EUA e França em Damasco expandiram a repercussão e o tom das críticas do Ocidente. Em agosto a situação mudou de perspectiva e, após a Turquia tomar posição, os vizinhos romperam o silêncio. A Liga Árabe, principal representação das nações árabes, manifestou-se sobre a crise e posteriormente decidiu pela suspensão da Síria do grupo, aumentando ainda mais a pressão ocidental, ancorada pela ONU.

Mas Damasco resiste. Observadores árabes foram enviados ao país para investigar o massacre de opositores - já organizados e dispondo de um exército composto por desertores das forças de Assad -, sem surtir efeito. No início de fevereiro de 2012, quando completavam-se 30 anos do massacre de Hama, o as forças de Assad investiram contra Homs, reduto da oposição. Pouco depois, a ONU preparou um plano que negociava a saída pacífica de Assad, mas Rússia e China vetaram a resolução, frustrando qualquer chance de intervenção, que já era complicada. A ONU estima que pelo menos 5 mil pessoas já tenham morrido na Síria.

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