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Austrália pede que Kadafi renuncie após ter ficado "sem crédito"

26 fev 2011
03h46
atualizado às 07h21

A Austrália pediu neste sábado que Muammar Kadafi abandone a Líbia e que as Nações Unidas imponham sanções contra o regime que incluam um embargo à venda de armas e zonas de exclusão aérea. "O ditador ficou sem crédito como líder de seu país e de seu povo. É o momento de deixar o poder", declarou à rádio ABC o ex-primeiro-ministro e atual titular das Relações Exteriores australiano, Kevin Rudd.

Rudd assinalou que a situação na Líbia "degenerou em direção a uma guerra civil". "Francamente, o que está acontecendo poderia ser resolvido de forma pacífica se Kadafi e seu entorno simplesmente fizessem as malas e partissem do país", afirmou o ministro australiano.

A revolta popular na Líbia mantém o cerco ao regime às portas de Trípoli, ao tempo que aumenta a pressão da comunidade internacional, que estuda a criação de uma zona de exclusão aérea e levar Kadafi ao Tribunal Penal Internacional.

Os Estados Unidos anunciaram sanções unilaterais e o congelamento das contas do regime líbio em bancos americanos, enquanto a União Europeia fez o mesmo, além de ter decretado o embargo total à venda de armas ao país africano.

Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi
Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.

Os relatos vindos do país não são precisos, mas tudo leva a crer que a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta do que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que Força Aérea líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido.

Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte.

Além do clamor das ruas, a pressão política também cresce contra o coronel Kadafi. Internamente, um ministro líbio renuncioue pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbiostambém pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade.

info infográfico kadafi líbia
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Foto: AFP
EFE   
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