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Aumenta tensão na praça Tahrir após confrontos e mortes

3 fev 2011
07h56
atualizado às 08h46
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Um ambiente tenso, com chamadas à paz, reina nesta quinta-feira na praça Tahrir, no Cairo, que está tomada por milhares de manifestantes contrários ao regime de Hosni Mubarak e tem em seus arredores partidários do líder egípcio.

Milhares de dissidentes montaram barricadas na praça Tahrir e prometeram não deixar o local
Milhares de dissidentes montaram barricadas na praça Tahrir e prometeram não deixar o local
Foto: AFP

As tropas do Exército controlam os acessos à praça, símbolo da revolta popular que sacode o Egito há dez dias, e tentam evitar que se repitam os duros confrontos entre partidários e opositores de Mubarak, que deixaram nas últimas horas mais de dez mortos e centenas de feridos.

Os confrontos, que começaram à meia-noite de quarta, acabaram com sete mortos e ao menos 1,2 mil feridos, disse nesta quinta à agência EFE um porta-voz de Movimento 6 de Abril, promotor dos protestos, citando fontes médicas da praça Tahrir (praça Libertação).

Entre as vítimas, cinco mortos e uma dezena de feridos durante a madrugada devido aos disparos feitos por simpatizantes de Mubarak a partir de um ponto próximo a ponte 6 de Outubro com armas automáticas, segundo um dos médicos que trabalha em um posto de primeiros socorros situado na praça.

O ponto mais crítico ocorreu às 10h30 no horário local (6h30 de Brasília) perto do Museu Egípcio, na rua que comunica Tahrir com a praça de Abdel Menem Riad, onde se situou um cinto de contenção de militares e civis apoiados por dois tanques que tentam acalmar a situação.

Os partidários de Mubarak, contados em dezenas, foram expulsos da praça Tahrir, e a partir das áreas adjacentes à praça de Abdel Menem Riad lançam pedras e coquetel molotov.

Centenas deles se situaram na ponte 6 de Outubro, mas os militares os retiraram desse lugar. Na rua do museu, semeada de pedras, ficam meia dúzia de tanques, que apontam em direção a esta ponte, e um pouco mais adiante nesta mesma via há uma barricada.

Um jipe, dois carros e dois caminhões do Exército totalmente carbonizados formam a barreira, perto do qual há um posto de assistência médica onde é distribuída água e comida. Muitos opositores de Mubarak patrulham a praça Tahrir armados com paus e balançando bandeiras do Egito.

Em seus rostos se veem marcas dos violentos incidentes ocorridos no local, e uma grande parte está com esparadrapos e vendas na cabeça, além de tipoias nos braços.

Em outro dos acessos a Tahrir, a ponte de Kasr al Nil, próximo ao prédio da Liga Árabe, estão três tanques, que apontam em direção à praça, em direção à ponte e às sedes do Ministério de Exteriores.

Protestos convulsionam o Egito
Desde o último dia 25 de janeiro - data que ganhou um caráter histórico, principalmente na internet -, os egípcios protestam pela saída do presidente Hosni Mubarak, que está há 30 anos no poder. No dia 28 as manifestações ganharam uma nova dimensão, fazendo o governo cortar o acesso à rede e declarar toque de recolher . As medidas foram ignoradas pela população, mas Mubarak disse que não sairia . Limitou-se a dizer que buscaria "reformas democráticas" para responder aos anseios da população a partir da formação de um novo governo.

A partir do dia 29, um sábado, a nova administração foi anunciada . Passaram a fazer parte dela o premiê Ahmed Shafiq, general que até então ocupava o cargo de Ministro da Aviação Civil, e o também general Omar Suleiman, que reinaugurou o cargo de vice-presidente, posto inexistente no país desde 1981. A medida, mais uma vez, não surtiu efeito, e os protestos continuaram. No domingo, o presidente egípcio se reuniu com militares e anunciou o retorno da polícia antimotins . A emissora Al Jazeera , que vinha cobrindo de perto os tumultos, foi impedida de funcionar.

Enquanto isso, a oposição seguiu se organizando . O líder opositor Mohamad ElBaradei garantiu que "a mudança chegará" para o Egito. Já os Irmãos Muçulmanos disseram que não iriam dialogar com o novo governo. Na terça, dia 1º de fevereiro, dezenas de milhares de pessoas se reuniram na praça Tahrir para exigir a renúncia de Mubarak. A grandeza dos protestos levou o líder egípcio a anunciar que não participaria das próximas eleições , para delírio da massa reunida no centro do Cairo. Apesar de os protestos de ontem terem sido pacíficos, a ONU estima que cerca de 300 pessoas já tenham morrido no país desde o início dos protestos.



EFE   

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