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Ataques à Líbia são 'grande mal-entendido', diz filho de Kadafi

20 mar 2011
11h17
atualizado em 22/3/2011 às 11h33
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Os ataques contra a Líbia são resultado de "um grande mal-entendido" sobre a situação política do país, disse Seif Al-Islam, um dos filhos do líder Muammar Kadafi, em entrevista neste domingo à emissora americana ABC, à qual se disse "surpreso" pela ofensiva aliada. Segundo ele, a coalizão está equivocada quanto à natureza da rebelião na Líbia, afirmando que os rebeldes são "gângsters" e "terroristas".

Veja ataques da coalização internacional contra a Líbia

"Por que meu pai deveria desistir?", questionou Saif Al-Islam à ABC. "Há um grande mal-entendido. O país inteiro está unido contra a milícia armada e os terroristas", afirmou.

"Nosso povo foi a Benghazi para libertar Benghazi dos gângsters e da milícia armada", disse, referindo-se aos reduto rebelde no leste da Líbia. "Então, se vocês americanos quiserem ajudar o povo líbio em Benghazi, vão a Benghazi e libertem a cidade da milícia e dos terroristas", completou.

Al Islam disse que, apesar da ira provocada pela ação militar do Ocidente contra a Líbia, o país da África do Norte não fará represálias contra os aviões comerciais no Mediterrâneo. "Não, esse não é nosso objetivo", afirmou. "Nosso objetivo é ver como ajudar nosso povo na Líbia, especialmente em Benghazi. Acredite em mim, estão vivendo um pesadelo. Um autêntico pesadelo", disse.

Cindida entre rebeldes e forças de Kadafi, Líbia mergulha em guerra civil
Motivados pela onda de protestos que levaram à queda os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em meados de fevereiro para contestar o líder Muammar Kadafi, no comando do país desde a revolução de 1969. Entretanto, enquanto os casos tunisiano e egípcio evoluíram e se resolveram principalmente por meio protestos pacíficos, a situação da Líbia tomou contornos bem distintos, beirando uma guerra civil.

Após semanas de violentos confrontos diários em nome do controle de cidades estratégicas, a Líbia se encontrava atualmente dividida entre áreas dominadas pelas forças de Kadafi e redutos da resistência rebeldes. Mais recentemente, no entanto, os revolucionários viram seus grandes avanços a locais como Sirte e o porto petrolífero de Ras Lanuf serem minados no contra-ataque de Kadafi, que retomou áreas no centro da Líbia e se aproxima das portas de Benghazi, a capital da resistência rebelde, no leste líbio.

Essa contra-ofensiva governista mudou a postura da comunidade internacional. Até então adotando medidas mais simbólicas que efetivas, ao Conselho de Segurança da ONU aprovou em 17 de março a determinação de uma zona de exclusão aérea na Líbia. Menos de 48 horas depois, enquanto os confrontos persistiam, França, Reino Unido e Estados Unidos iniciaram ataques. Mais de mil pessoas morreram, e dezenas de milhares já fugiram do país.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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