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Após massacre, potências decidem expulsar diplomatas sírios

29 mai 2012
09h48
atualizado às 15h19

Governos da França, Austrália, Grã-Bretanha, Canadá, Itália, Espanha, Alemanha, Estados Unidos e Suíça expulsaram os diplomatas sírios de suas capitais, nesta terça-feira, e outros países devem seguir o mesmo caminho como sinal de revolta pelo massacre de mais de 100 civis em uma cidade síria, que segundo observadores da ONU foi cometido por forças leais ao presidente sírio Bashar al-Assad.

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O presidente francês, François Hollande, anuncia a repórteres a expulsão de diplomatas sírios do país
O presidente francês, François Hollande, anuncia a repórteres a expulsão de diplomatas sírios do país
Foto: AP

Austrália
O governo australiano foi o primeiro a anunciar nesta terça-feira a expulsão de representantes sírios do país, com a expulsão de dois diplomatas. "Esta é a forma mais efetiva que temos de enviar uma mensagem de condenação ao governo da Síria", disse o ministro das Relações Exteriores da Austrália, Bob Carr, segundo a rádio local ABC.

França
À Austrália, se seguiu a França. O presidente François Hollande disse a repórteres que o embaixador da Síria em Paris estava sendo expulso. Ele afirmou que a decisão estava sendo tomada em consulta com parceiros da França. O ministro de Relações Exteriores do país, Laurent Fabius, chamou Assad de assassino. "Bashar al-Assad é o assassino de seu povo. Ele deve abdicar do poder. Quanto antes, melhor", afirmou Fabius em uma entrevista ao diário francês Le Monde.

Alemanha
A Alemanha anunciou sua decisão afirmando ter sido tomada de forma coordenada com "EUA, França, Grã-Bretanha e outros parceiros". Segundo vários meios de comunicação locais, o embaixador Radwan Lufti foi citado no Ministério de Exteriores e avisado que tinha 72 horas para abandonar a Alemanha. Em fevereiro, a Alemanha já havia expulsado quatro funcionários da embaixada síria suspeitos de terem espionado militantes da oposição no exílio.

Reino Unido
A Grã-Bretanha expulsou o charge d'affaires e outros dois altos diplomatas, informou o chanceler William Hague. "Falamos nos últimos dias em aumentar a pressão sobre o regime de Bashar al-Assad e levar a mensagem que a comunidade internacional está horrorizada pela violência que continuou pelo comportamento do regime, pelo assassinato de tanta gente inocente, inclusive o terrível massacre de Hula", assinalou o ministro britânico em uma declaração a emissoras de televisão.

Itália
O Ministério de Relações Exteriores italiano comunicou nesta terça-feira a expulsão do embaixador Hassan Jadur. Em nota, o Ministério explica que convocou o embaixador e o declarou "persona non grata", e acrescenta que esta medida de expulsão se estendeu a "vários funcionários da embaixada". "Desta maneira, o governo italiano reiterou sua indignação pela violência feroz contra a população civil, cuja responsabilidade é do governo sírio", salienta o comunicado. A Itália já tinha fechado a sua representação na Síria no dia 14 de março.

Canadá
O Canadá também anunciou a expulsão de todos os diplomatas sírios em protesto pelo massacre de Hula, segundo anunciou o chanceler John Baird."Hoje, o Canadá está expulsando todos os diplomatas sírios que permanecem em Ottawa. Eles e suas famílias têm cinco dias para abandonar o Canadá", afirmou o ministro em um comunicado.

Espanha
A Espanha deu um prazo de 72 horas para que o embaixador e outros quatro membros da missão diplomática síria deixem Madri, afirmando que "rejeitam a escalada de violência contra os civis". "A Espanha decidiu hoje (terça-feira) declarar persona non grata o Embaixador da Síria na Espanha, o senhor Hussam Edin Aala, pela inaceitável repressão exercida pelo regime sírio sobre sua população", afirma um comunicado do ministério, que acrescenta que "o governo também decidiu expulsar outros quatro membros da missão diplomática da Síria na Espanha".

Estados Unidos
Os Estados Unidos decidiram expulsar o encarregado de negócios sírio em Washington "em resposta" ao massacre, anunciou em comunicado a porta-voz da diplomacia americana, Victoria Nuland. Zuheir Jabbour, o mais alto representante sírio em Washington, foi informado nesta terça-feira que tinha 72 horas para deixar o país, indicou Nuland. "Consideramos o governo sírio responsável" pelo massacre, disse.

Suíça
O Ministério suíço das Relações Exteriores (DFAE) declarou a embaixadora da Síria na Suíça, Lamia Chakkour, como "persona non grata" no país. Chakkour também representava a Síria em Paris e estava na França, de onde já havia sido expulsa. A Suíça manifestou a intenção de protestar contra a "violação sistemática das resoluções 2042 (2012) e 2043 (2012) do Conselho de Segurança da ONU" e contra "a falta de implementação do plano de seis pontos do enviado especial das Nações Unidas Kofi Annan".

Reação
As expulsões de diplomatas foram saudades pelo Conselho Nacional Sírio (CNS), principal coalizão da oposição síria. O organismo também pediu que a a ONU aprove uma resolução que autorize o uso da força contra o regime de Bashar al-Assad. Em comunicado, o CNS convocou "a comunidade internacional a romper suas relações diplomáticas com o regime sírio".

Fontes diplomáticas em vários países disseram à Reuters que outros governos tomariam decisões similares - um processo que poderia marcar uma nova fase do esforço internacional para acabar com a repressão de Assad ao levante que dura 14 meses contra o seu regime.

O catalisador imediato para as expulsões parece ser o massacre de mais de 100 civis na cidade síria de Hula, na sexta-feira, incluindo mulheres e crianças. Testemunhas e sobreviventes disseram a investigadores da ONU que a maioria das vítimas morreu em duas ondas de assassinatos sumários realizados por milicianos "shabbiha" (pró-governo).

A comunidade internacional está cada vez mais frustrada com o fracasso de um plano de paz sustentado pela ONU para acabar com o derramamento de sangue no país.

Com informações das agências internacionais

Fonte: Terra

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