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Oriente Médio

Annan renuncia ao posto de mediador internacional para a Síria

2 ago 2012 - 11h57
(atualizado às 14h22)
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O ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan renunciou nesta quinta-feira ao posto de intermediário da entidade e da Liga Árabe para o conflito sírio. Em entrevista coletiva em Genebra, na Suíça, Annan creditou sua decisão à impossibilidade de chegar a um acordo político que ponha um fim ao conflito no país árabe, gesto que representa uma pesada derrota dos esforços da diplomacia internacional em conter a violência no país árabe.

Kofi Annan anuncia sua renúncia como intermediário para o conflito sírio durante uma coletiva em Genebra
Kofi Annan anuncia sua renúncia como intermediário para o conflito sírio durante uma coletiva em Genebra
Foto: AP

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"É impossível para mim ou para qualquer outra pessoa convencer o governo e a oposição a dar os passos necessários para abrir um processo político", disse Annan na sede suíça da ONU. "Não recebi todo o apoio que a causa merecia. Há divisões na comunidade internacional. Tudo isso complicou minha tarefa", completou.

"A severidade e o custo humanitário do conflito, assim como a excepcional ameaça que representava para a paz e a segurança internacional justificaram os esforços para buscar uma transição política, por mais difícil que fosse o desafio", declarou. O ex-secretário-geral da ONU foi especialmente crítico com os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (China, Rússia, EUA, França e Reino Unido), aos quais acusou de "trocar acusações quando era preciso agir".

Annan insistiu que seu plano de paz "continua aberto", mas acrescentou que agora o Conselho de Segurança é que terá que assumi-lo como próprio. "A Síria ainda pode ser salva da pior das calamidades", embora isso dependa que "a comunidade internacional mostre a liderança necessária." Para Annan, o derramamento de sangue continuará" na Síria, resultado da "intransigência do governo sírio" e da "escalada da campanha militar da oposição, unida à divisão internacional".

Mais cedo, Ban Ki-moon, ao anunciar "com profundo pesar" a desistência do colega, disse já estar em contato com o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, para que um sucessor possa assumir este "esforço crucial para chegar à paz". Ele se disse convencido de que "mais sangue não é a resposta para a questão Síria, mas que "tragicamente, o espiral de violência" continua no país.

"Ambos os lados, governo e forças da oposição, continuam demonstrando sua determinação em renovar os ciclos de violência. Além disso, as persistentes divisões no Conselho de Segurança se tornaram um obstáculo à diplomacia, fazendo com que o trabalho de qualquer mediador fosse muito difícil", afirmou o secretário-geral da ONU, fazendo referência a Annan.

O trabalho de Annan da Síria
Kofi Annan foi apontado para o cargo de enviado especial em 23 de fevereiro deste ano. Em diversas oportunidades, se reuniu com o presidente sírio, Bashar al-Assad, para tentar achar uma solução pacífica para a guerra civil no país.

Sua principal contribuição foi o plano de paz em seis pontos que previa o cessar-fogo imediato entre rebeldes e tropas de Assad. O plano chegou ser adotado em meados de abril, mas jamais chegou a ser plenamente implementado por ambos os lados, sem resultado significativo na supressão da violência. Posteriormente, a ONU reconheceu o fracasso do plano.

Com informações de AFP e EFE.

Fonte: Terra
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