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Annan é bode expiatório de fracasso da ONU na Síria, diz fonte

27 jul 2012
10h44
atualizado às 11h19

O enviado internacional Kofi Annan continua buscando uma solução política para a crise na Síria, apesar de os dois lados em conflito o tratarem como bode expiatório para o fracasso até agora, disse na sexta-feira uma fonte próxima à mediação. Annan, ex-secretário-geral da ONU, e seu sucessor no cargo, Ban Ki-moon, reuniram-se nesta sexta-feira, em Londres, para discutir os futuros esforços de mediação e uma missão de observação da ONU. Além disso, o "Grupo de Ação" para a Síria deve voltar a se encontrar em breve, mas não em nível ministerial, segundo a fonte.

Em imagem de vídeo divulgado pela agência Ugarit News nesta segunda-feira, tropas do governo da Síria enfrentam rebeldes em Aleppo. A segunda maior cidade do país foi palco de combates violentos no domingo, após uma ofensiva do exército para tentar tirar Aleppo das mãos dos opositores
Em imagem de vídeo divulgado pela agência Ugarit News nesta segunda-feira, tropas do governo da Síria enfrentam rebeldes em Aleppo. A segunda maior cidade do país foi palco de combates violentos no domingo, após uma ofensiva do exército para tentar tirar Aleppo das mãos dos opositores
Foto: AP

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Moscou, Genebra e Nova York foram locais propostos para receber a próxima discussão sobre um "mapa para um acordo político" já aceito em 30 de junho por grandes potências em Genebra. Não há, no entanto, um plano definitivo, segundo a fonte, que pediu anonimato.

Essa fonte disse que foi encorajador ver a oposição ao presidente Bashar al-Assad se unindo para discutir o futuro da Síria, e acrescentou que aparentemente Annan não está em contato no momento com o general desertor Manaf Tlas, que manifestou a intenção de unificar a oposição ao seu redor. "Pedimos a eles que se apressem e se tornem tão coesos quanto é necessário, e que se sentem com o interlocutor do outro lado", afirmou a fonte.

A questão da Síria provoca uma forte divisão entre as grandes potências. China e Rússia, aliadas de Assad, já vetaram três propostas de resolução do Conselho de Segurança da ONU que permitiriam a imposição de sanções ao regime, a última delas na semana passada. A fonte da Reuters, no entanto, disse que Annan detectou sinais de "flexibilidade e compromisso" na sua mais recente reunião em Moscou com o presidente Vladimir Putin.

Apesar do impasse internacional, o Conselho de Segurança prorrogou a missão de observação da ONU na Síria, mas com duração reduzida à metade. O Conselho solicitou um relatório de Annan num prazo de 15 dias, o que significa que ele apresentará uma posição atualizada na quinta ou sexta-feira. "Restam 23 dias (para o fim da missão de observação) e o relógio está correndo. Podemos ouvi-lo correr bem alto nas Nações Unidas (...), porque significa que o Conselho de Segurança pode muito bem decidir em 19 de agosto não renovar (a missão)", declarou a fonte.

Sobre a possibilidade de que Annan renuncie à mediação, a fonte disse que o insucesso na solução da crise até agora é culpa da comunidade internacional, não de Annan. "Não conseguiram chegar a termos com esse problema. Fracassaram em implementar o plano com o qual se comprometeram. Isso não tem a ver com Kofi Annan. Tem a ver com um plano que foi adotado pela comunidade internacional. A comunidade internacional falhou. As partes em terra falharam", disse a fonte. "É muito frequente em qualquer conflito que o mediador se torne o bode expiatório. E é isso que está acontecendo neste conflito", afirmou.

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