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"Ação contra a Líbia começou", anuncia Obama em Brasília

19 mar 2011
17h21
atualizado em 22/3/2011 às 12h30

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou neste sábado o início da operação aliada "Odisseia do amanhecer", que tem como objetivo atacar as defesas antiaéreas líbias e permitir o estabelecimento da zona de exclusão aérea sobre o país norte-africano. Em declaração concedida em Brasília, Obama revelou: "Hoje autorizei as Forças Armadas dos Estados Unidos a lançarem uma ação limitada contra a Líbia".

"Não é algo que os Estados Unidos ou nossos aliados tenhamos buscado", mas o comportamento de Muammar Kadafi, que continua com seus ataques contra Benghazi, não deixou outra opção. "Não podemos ficar quietos quando um tirano diz a seu povo que não terá piedade", destacou. Enquanto o presidente americano falava, a costa líbia começava a receber os primeiros impactos dos mísseis Tomahawk americanos. Até o momento, segundo indicou o Pentágono, foram lançados 110, que atingiram 20 alvos.

Obama teve cuidado ao ressaltar que a iniciativa foi tomada para responder "aos apelos da população líbia e proteger os interesses dos Estados Unidos e do mundo". O presidente, que prometeu durante sua campanha eleitoral pôr um fim na Guerra do Iraque e do Afeganistão, afirmou que em nenhum caso os soldados americanos pisarão em solo líbio. "Sou muito consciente dos riscos desta iniciativa", declarou em sua breve declaração a jornalistas.

O objetivo é dar início à zona de exclusão aérea imposta pela resolução 1973 que o Conselho de Segurança da ONU aprovou na quinta-feira passada, e que autoriza medidas militares para proteger a população líbia dos ataques das forças de Kadafi. "Trabalhamos com uma ampla coalizão", assegurou o presidente americano. Os EUA e outros quatro aliados começaram neste sábado os primeiros ataques contra os sistemas antimísseis líbios, em uma operação à qual se deu o nome de "Odisseia do amanhecer". Os primeiros ataques foram feitos contra pontos do litoral do golfo de Sirte, segundo indicou o vice-almirante William Gortney em uma teleconferência concedida de Washington.

Segundo Gortney, à frente da operação se encontra o general Carter Ham, responsável do comando americano para a África. De acordo com o vice-almirante, a operação visa por um lado impedir que as tropas líbias possam atacar a população, em particular nos arredores de Benghazi e, por outro, neutralizar as defesas antiaéreas líbias de modo que se possa pôr em prática a zona de exclusão aérea. A operação será executada em diferentes fases, explicou o militar, que não declarou quanto tempo será necessário para completar a primeira parte da operação. Os primeiros alvos da coalizão estão no litoral do golfo de Sirte e, a partir daí, os ataques irão se aprofundar no país, para progredir em direção leste-oeste.

Gortney indicou que nos últimos dias, e apesar de sua promessa de um cessar-fogo, Kadafi "continuou com a ofensiva e com seus avanços em direção a Benghazi". Em entrevista coletiva posterior, o militar se recusou a falar sobre operações futuras, embora tenha insistido que não há tropas americanas desdobradas no território líbio e que nenhum avião dos EUA sobrevoa o país neste momento. "Mais de 110 mísseis de cruzeiro Tomahawk lançados de navios e submarinos americanos atingiram mais de 20 sistemas de defesa aérea integrados e outras instalações", afirmou Gortney em suas declarações à imprensa.

O alto responsável militar evitou avaliar o êxito da operação, que pode durar "horas" ou "dias", e disse que será necessário "algum tempo" antes de se ter uma ideia precisa do alcance dos ataques. Horas antes da intervenção, Kadafi, em um claro desafio à comunidade internacional e à resolução da ONU, lançou suas forças a Benghazi, símbolo da insurreição contra o regime de Trípoli.

Cindida entre rebeldes e forças de Kadafi, Líbia mergulha em guerra civil
Motivados pela onda de protestos que levaram à queda os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em meados de fevereiro para contestar o líder Muammar Kadafi, no comando do país desde a revolução de 1969. Entretanto, enquanto os casos tunisiano e egípcio evoluíram e se resolveram principalmente por meio protestos pacíficos, a situação da Líbia tomou contornos bem distintos, beirando uma guerra civil.

Após semanas de violentos confrontos diários em nome do controle de cidades estratégicas, a Líbia se encontrava atualmente dividida entre áreas dominadas pelas forças de Kadafi e redutos da resistência rebeldes. Mais recentemente, no entanto, os revolucionários viram seus grandes avanços a locais como Sirte e o porto petrolífero de Ras Lanuf serem minados no contra-ataque de Kadafi, que retomou áreas no centro da Líbia e se aproxima das portas de Benghazi, a capital da resistência rebelde, no leste líbio.

Essa contra-ofensiva governista mudou a postura da comunidade internacional. Até então adotando medidas mais simbólicas que efetivas, ao Conselho de Segurança da ONU aprovou em 17 de março a determinação de uma zona de exclusão aérea na Líbia. A iminência de uma interferência internacional, muitas vezes requisitada pela resistência rebelde, fez com que Kadafi anunciasse um cessar-fogo, mas confrontos persistem. Mais de mil pessoas morreram, e dezenas de milhares já fugiram do país.

EFE   

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