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"A mudança chegará", garante ElBaradei em discurso na praça

30 jan 2011
15h34
atualizado às 17h25

O opositor egípcio Mohamed ElBaradei discursou neste domingo na praça Tahrir, epicentro da revolta popular que começou na terça-feira no Egito, e prometeu aos manifestantes que "a mudança chegará". "O que começamos não tem volta", disse em mensagem para milhares de manifestantes que se encontravam nesta noite no ponto do centro do Cairo, segundo a rede de televisão Al Arabiya.

O Prêmio Nobel da Paz, muito criticado dentro do Egito por suas longas ausências do país, chegou ao Cairo na quinta-feira passada para somar-se às manifestações que começaram na terça-feira passada e que buscam a renúncia de Hosni Mubarak, no poder desde 1981. Aproveitando a presença de milhares de manifestantes, que se reúnem na praça há dias sem que se tenham levantado tribunas públicas, ElBaradei se dirigiu a eles para reiterar declarações que fez nos últimos dias.

"Este é o começo do fim", acrescentou ElBaradei, segundo a emissora Al Jazeera. "Roubaram nossa liberdade", insistiu o ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, que ressaltou que a oposição tem uma reivindicação principal: "A renúncia do regime". O dirigente da oposição também pediu a Mubarak que deixe o cargo e prepare o terreno "para um Governo de unidade".

Egípcios desafiam governo Mubarak
A onda de protestos dos egípcios contra o governo do presidente Hosni Mubarak, iniciados no dia 25 de janeiro, tomou nova dimensão na última sexta-feira. O governo havia tentado impedir a mobilização popular cortando o sinal da internet no país, mas a medida não surtiu efeito. No início do dia, dois mil egípcios participaram de uma oração com o líder oposicionista Mohamad ElBaradei, que acabou sendo temporariamente detido e impedido de se manifestar.

Os protestos tomaram corpo, com dezenas de milhares de manifestantes saindo às ruas das principais cidades do país - Cairo, Alexandria e Suez. Mubarak enviou tanques às ruas e anunciou um toque de recolher, o qual acabou virtualmente ignorado pela população. Os confrontos com a polícia aumentaram, e a sede do governista Partido Nacional Democrático foi incendiada.

Já na madrugada de sábado (horário local), Mubarak fez um pronunciamento à nação no qual ele disse que não renunciaria, mas que um novo governo seria formado em busca de "reformas democráticas". Defendeu a repressão da polícia aos manifestantes e disse que existe uma linha muito tênue entre a liberdade e o caos. A declaração do líder egípcio foi seguida de um pronunciamento de Barack Obama, que pediu a Mubarak que fizesse valer sua promessa de democracia.

O governo encabeçado pelo premiê Ahmed Nazif confirmou sua renúncia na manhã de sábado. Passaram a fazer parte do novo governo o premiê Ahmed Shafiq, general que até então ocupava o cargo de Ministro de Aviação Civil, e o também general Omar Suleiman, que inaugura o cargo de vice-presidente do Egito - posto inexistente no país desde o início do governo de Mubarak, em 1981.

Mubarak, à revelia da pressão popular que persiste nas cidades egípcias, não renunciou. Segundo o último balanço feito pela agência AFP junto a fontes médicas, já passam de 100 os mortos desde o início dos protestos, na última terça.



EFE   

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