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Desapropriação de terras deixa ao menos 16 mortos no Paraguai

ASSUNÇÃO, 15 Jun (Reuters) - Pelo menos sete policiais e nove camponeses morreram nesta sexta-feira no confronto durante a desapropriação de uma fazenda no nordeste do Paraguai, no pior incidente relacionado à posse de terras nas últimas duas décadas no país.

O governo do presidente socialista Fernando Lugo ordenou a intervenção das Forças Armadas para apoiar a polícia na região e descartou o envolvimento do grupo de extrema esquerda Exército do Povo Paraguaio (EPP) nos confrontos.

"Sete policiais morreram nesta operação policial-judicial... tivemos sete baixas e até o momento temos visto que há cerca de nove baixas dos camponeses que estiveram ocupando esse lugar", disse a jornalistas o ministro do Interior, Carlos Filizzola.

"A ação se deu com base em uma ordem judicial para a desapropriação... houve disparos por parte deles, a polícia também teve que responder a isso", acrescentou o ministro sobre o que aconteceu no terreno privado da colônia Ybyrá Pyta no departamento Canindeuyú, a 240 quilômetros de Assunção.

O comandante do Exército disse que cerca de 150 efetivos militares serão enviados imediatamente à região localizada na fronteira com o Brasil, uma área onde coexistem lavouras de soja, criação de gado e grandes cultivos ilegais de maconha.

A fazenda de cerca de 2.000 hectares pertence a um conhecido empresário local que há 20 dias denunciou a entrada do grupo de umas 100 famílias.

As organizações denunciam que são "terras ilícitas" produto da distribuição entre aliados durante a ditadura do general Alfredo Stroessner (1954-1989).

A reforma agrária era uma das prioridades do governo de Lugo, mas o mandatário teve dificuldades para aproximar posições entre as organizações camponesas e os proprietários, na medida em que buscava colocar ordem no organismo encarregado pela distribuição de terras.

(Reportagem de Didier Cristaldo e Daniela Desantis)

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