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Conflitos bilaterais obscurecem panorama da Cúpula da Unasul

27 ago 2013
19h46
atualizado às 20h03
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Os presidentes dos países-membros da Unasul se preparam para realizar uma nova cúpula em um momento em que os conflitos bilaterais, como o enfrentado por Brasil e Bolívia devido à fuga de um senador refugiado na embaixada brasileira em La Paz, nublam o panorama da integração na América do Sul.

O caso do senador Roger Pinto e outros assuntos, como a falta de relações diplomáticas entre Paraguai e Venezuela ou a expulsão de uma companhia aérea chilena de instalações aeroportuárias em Buenos Aires, vão pesar na lista de temas da Cúpula de Paramaribo.

Os chanceleres se reunirão na capital do Suriname no dia 29 de agosto e, no dia seguinte, será a vez dos chefes de Estado e de governo dos 12 países da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), ou seus representantes.

A cúpula, temporariamente presidida pelo Suriname, marcará o retorno do Paraguai à Unasul após a suspensão de mais de um ano devido à destituição do então presidente Fernando Lugo, em 2012, por meio de um julgamento político no Senado paraguaio que alegou mau desempenho de suas funções.

O novo presidente do Paraguai, Horacio Cartes, participará em Paramaribo ainda sem apresentar uma reconciliação com o líder venezuelano, Nicolás Maduro.

Em junho de 2012, quando era ministro de Relações Exteriores de Hugo Chávez, o atual presidente da Venezuela viajou para Assunção para tentar impedir a destituição de Lugo e participou ativamente na imposição de sanções contra o Paraguai na Unasul.

Maduro, que ainda não confirmou oficialmente sua participação na Cúpula, estendeu a mão a Cartes para normalizar as relações, mas até agora a resposta do líder paraguaio foi fria.

O principal obstáculo para a reconciliação é a forma com a qual a Venezuela foi incorporada ao Mercosul, à revelia do Paraguai, que também foi suspenso do bloco em junho de 2012.

Hoje, a Venezuela é presidente temporária do organismo fundado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, algo que as autoridades paraguaias não aceitam, pois consideram que a entrada do país caribenho aconteceu sem seu consentimento, o que vai contra as regras do Mercosul.

Até agora, não se sabe se Cartes e Maduro farão algum encontro bilateral no Suriname, mas a certeza é que terão que ficar frente a frente.

Também se encontrarão na Cúpula de Paramaribo a presidente Dilma Rousseff e o presidente boliviano Evo Morales, poucos dias depois da polêmica criada quando o senador boliviano Roger Pinto, que estava refugiado na embaixada brasileira em La Paz desde maio de 2012, foi ajudado pela própria embaixada a sair do país sem o salvo-conduto.

A cumplicidade de diplomatas brasileiros na fuga de Roger Pinto, que custou a Antonio Patriota o posto de ministro de Relações Exteriores, foi muito criticada pelo governo boliviano, que até agora não tomou medidas de resposta.

Dilma qualificou hoje como "inaceitável" a saída de Roger Pinto da Bolívia sem o necessário salvo-conduto boliviano porque "não tem nenhum fundamento que um governo de qualquer país do mundo aceite colocar a vida de alguém que está sob asilo em risco".

O governo boliviano afirmou hoje que o senador tem contra si "pelo menos 13 processos judiciais por atos de corrupção (quatro deles com ordem de proibição de deixar o país) e foi condenado a um ano de prisão por causar prejuízo econômico de mais de 11 milhões de pesos bolivianos (R$ 3,79 milhões) ao Estado.

Embora o governo do Chile tenha dado a entender ontem que não intervirá no conflito entre a companhia aérea LAN e as autoridades aeroportuárias da Argentina, que deram um prazo de 10 dias à companhia para abandonar um hangar no Aeroparque de Buenos Aires, o assunto segue criando atrito nas relações bilaterais.

Nem Cristina Kirchner, presidente da Argentina, nem Sebastián Piñera, presidente do Chile, confirmaram até agora que viajarão ao Suriname, algo que já fizeram os líderes de Peru, Equador, Bolívia, Brasil e Paraguai.

O titular do Organismo Regulador Nacional de Aeroportos (ORSNA) da Argentina, Gustavo Lipovich, garantiu hoje que recorrerá à justiça caso a LAN não abandone o hangar até sexta-feira.

Os problemas entre seus membros foram uma constante para a Unasul desde que ela foi fundada, em 2007, como herdeira da Comunidade Sul-Americana de Nações, criada em 2004.

Em julho de 2009, o organismo teve que convocar uma cúpula extraordinária para discutir as diferenças entre Venezuela e Colômbia e, um mês depois, outra para estudar um acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos, que a Venezuela via como uma "ameaça" para toda a região.

Também houve reuniões extraordinárias por crises internas em alguns dos países-membros, como uma sobre a Bolívia em 2007 e outra este ano, após as eleições de abril na Venezuela.

Outros encontros estiveram concentrados em assuntos de caráter internacional, como o realizado em julho em função do complicado retorno de Evo Morales de uma viagem à Rússia, devido à recusa de alguns países europeus a autorizar o sobrevoo do avião presidencial boliviano.

"Como grupo regional e ator global, a Unasul demonstrou ser capaz de superar as dificuldades e transformar os desafios em oportunidades", disse um porta-voz oficial do governo do Suriname à Agência Efe em recente entrevista.

A fonte acrescentou que a fórmula para encontrar soluções para os problemas entre os membros do organismo foi e seguirá sendo, com o Suriname como presidente temporário, "diplomacia e maturidade política".

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