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21 de junho de 2012 • 18h38 • atualizado em 23 de Junho de 2012 às 15h26

Confira a cronologia dos fatos que levaram à crise no Paraguai

Camponeses observam o corpo de uma das vítimas do massacre na propriedade de Curuguaty, em 15/6
Foto: EFE

Criticado e isolado politicamente após um confronto com 17 mortes em Cuaraguaty, Fernando Lugo caiu após um processo relâmpago de impeachment criado e aprovado em pouco mais de 24 horas. Lugo aceitou o julgamento e cedeu espaço ao vice, Federico Franco, que assumiu pedindo união nacional e compreensão internacional, além de garantir a constitucionalidade do processo que derrubou Lugo. A seguir, uma breve cronologia com os acontecimentos mais recentes que levaram à crise política em Assunção.

15 de junho
Pelo menos seis policiais e 11 camponeses morrem em enfrentamento durante uma desapropriação de terra no nordeste do Paraguai, em uma área fronteiriça com o Brasil. O ministro do Interior, Carlos Filizzola, e o comandante da Polícia Nacional, Paulino Rojas, deixam o cargo após o incidente. O Congresso resolve formar uma comissão para investigar os acontecimentos e fixar responsabilidades concretas.

16 de junho
Lugo empossa o novo ministro do Interior, o ex-procurador-geral Ruben Candia, um homem vinculado ao opositor Partido Colorado, buscando abrandar a crise.

20 de junho
Lugo ordena a criação de uma comissão especial de investigação, na qual participaria a Organização dos Estados Americanos (OEA), para esclarecer o confronto entre policiais e camponeses. O mandatário confirma o ministro do Interior no cargo, o que desata a ira de seus aliados do Partido Liberal. Os opositores criticam sua reação por considerá-la morna.

21 de junho
A Câmara dos Deputados do Paraguai aprova quase por unanimidade um processo de impeachment contra Lugo por sua responsabilidade no enfrentamento entre policiais e camponeses. O presidente diz que não renunciará e que se submeterá ao processo porque "não existe nenhuma causa razoável, ou jurídica ou política" para a sua saída.

O Senado, encarregado de dar prosseguimento ao processo, recebe a acusação contra o presidente e convoca uma sessão extraordinária. As Forças Armadas garantem que permanecem dentro de sua função, respeitando a ordem constitucional e democrática do Paraguai.

22 de junho
Depois que a equipe de defesa de Fernando Lugo foi ouvida, os senadores votaram e aprovaram o impeachment do presidente. Por maioria absoluta - 39 votos a favor, quatro contra e duas abstenções -, o Senado decidiu pelo fim do mandato de Lugo.

Pouco depois, ele foi a público e, em um pronunciamento emocionado, se despediu do cargo. "Hoje não é o presidente Fernando Lugo que recebeu um golpe, é a história paraguaia que foi ferida profundamente", discursou. Uma cerimônia no Parlamento empossou o até então vice-presidente Federico Franco, menos de 36 horas depois do início do processo de impeachment de Lugo.

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