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Chanceleres do Mercosul denunciam a Ban espionagem dos EUA

5 ago 2013
14h46
atualizado às 14h49

Os chanceleres do Mercosul transmitiram nesta segunda-feira em um encontro com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a rejeição do bloco regional à espionagem dos Estados Unidos a vários países da região.

"Elevamos nossa denúncia, preocupação e indignação com o sistema de espionagem global revelado pelo senhor (Edward) Snowden sobre as atividades de inteligência dos Estados Unidos", disse à imprensa o ministro das Relações Exteriores venezuelano, Elías Jaua, em nome do grupo.

Os chanceleres de quatro dos cinco membros do bloco regional, Antônio Patriota, o argentino Héctor Timerman, o uruguaio Luis Almagro e o próprio Jaua, denunciaram também a "ofensa" ao líder boliviano, Evo Morales, na Europa por países que o impediram de sobrevoar seus territórios.

Além desses, também participou da reunião o boliviano David Choquehuanca. O chanceler do Paraguai, também membro do Mercosul, não participou por seu país estar suspenso do bloco.

Jaua, como presidente rotativo do Mercosul, disse à imprensa que os chanceleres agradeceram a "receptividade" de Ban, pois, segundo o ministro venezuelano, "compartilhou sua indignação", especialmente pelo "abuso" a Morales.

Perguntado se o Mercosul planeja pedir que se imponham sanções aos EUA pela espionagem, Patriota disse que estão "coordenando" os próximos passos, e adiantou que também enviaram suas queixas à Assembleia Geral e ao Conselho de Segurança.

Os chanceleres alertaram sobre as "graves implicações" que têm sobre a estabilidade política dos países afetados os atos de espionagem americanos, assim como sobre a "mútua confiança, necessária" na comunidade internacional.

"Estamos convencidos de que essa prática viola o direito internacional e os direitos humanos fundamentais de nossos cidadãos e cidadãs ao ser violado o direito sagrado à privacidade", disse o chanceler venezuelano.

Sobre a "ofensa" a Morales, os ministros asseguraram que houve uma violação da Convenção de Viena e que pôs em risco "a dignidade e segurança física" do dirigente boliviano.

Morales acusou França, Itália e Portugal de impedi-lo de sobrevoar, e a Espanha de querer revistar seu avião em Viena diante da suspeita deque no aeroporto de Moscou, onde o líder boliviano esteve em visita, tivesse recolhido a Snowden.

Além disso, expressaram sua preocupação com a tentativa de "pressionar e condicionar" aos países que levaram em conta o pedido de asilo político de Snowden, "um direito dos cidadãos a pedi-lo e dos países a outorgá-lo".

"O direito ao asilo é um princípio que não estamos dispostos a negociar e transmitimos isso ao secretário-geral", disse Jaua, que lembrou que no passado esse "direito sagrado" permitiu salvar "políticos, jornalistas e cidadãos comuns".

Os chanceleres aproveitaram também para expressar a "permanente preocupação" da América Latina com o "criminoso bloqueio" a Cuba por parte dos EUA, e a exigência "firme" de toda a região para que a Argentina recupere a soberania das ilhas Malvinas.

"São dois temas sensíveis e de alta preocupação para a América Latina sobre os quais insistiremos em exigir que haja uma solução", disse o ministro venezuelano, que acrescentou que Ban também quis falar sobre o Haiti.

EFE   
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