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Bomba mata ministro da Defesa e autoridades militares sírias

Por Dominic Evans e Khaled Yacoub Oweis

BEIRUTE/AMÃ, 18 Jul (Reuters) - O ministro de Defesa da Síria, Daoud Rajha, e seu vice, Assef Shawkat, um cunhado do presidente Bashar al-Assad, foram mortos nesta quarta-feira em um atentado suicida na capital Damasco, no pior golpe ao alto comando do regime de Assad nos 16 meses de rebelião no país.

O homem-bomba, que segundo fontes da áreas de segurança seria um guarda-costas designado ao círculo íntimo de Assad, invadiu uma reunião no centro de Damasco com a presença de ministros e autoridades de segurança, no mesmo dia que os confrontos chegaram mais perto do palácio presidencial.

A televisão estatal disse que o ministro da Defesa e o vice foram mortos em um "atentado terrorista" e o governo prometeu acabar com os "grupos criminosos" responsáveis.

Uma fonte de segurança síria confirmou que Shawkat, de 62 anos --um dos pilares do regime de Assad-- foi morto e disse que o general Hassan Turkmani, ex-ministro da Defesa e oficial militar de alta patente, também morreu devido aos ferimentos sofridos na explosão.

O chefe de inteligência Hisham Bekhtyar e o ministro do Interior, Mohammad Ibrahim al-Shaar, também ficaram feridos, informaram fontes de segurança.

O ataque atingiu os integrantes do núcleo de uma unidade militar de crise liderada por Assad para tratar da repressão à revolta, que cresceu a partir de protestos populares inspirados por levantes da Primavera Árabe que destronaram líderes na Tunísia, Egito e Líbia.

Assad não apareceu em público após o ataque ou fez qualquer declaração, mas fontes de segurança disseram que ele não estava na reunião onde o atentado ocorreu.

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Fahad Jassim al-Freij, rapidamente assumiu o cargo de ministro da Defesa para evitar qualquer impressão de paralisia oficial.

"Este ato terrorista covarde não vai impedir os nossos homens nas Forças Armadas de prosseguir com a sua sagrada missão de perseguir os remanescentes dessas gangues armadas criminosas terroristas", afirmou Freij na televisão estatal. "Eles vão cortar todas as mãos que tentarem prejudicar a segurança da nação ou dos seus cidadãos."

A explosão parece ser parte de um ataque coordenado no quarto dia de combates na capital, que os rebeldes chamaram de "libertação de Damasco", após meses de confrontos que, segundo ativistas, mataram mais de 17.000 pessoas no país.

"Esta é uma situação que está rapidamente saindo de controle", alertou o secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, pedindo uma pressão global máxima sobre Assad para ele renunciar.

"BATALHA DECISIVA"

Líderes ocidentais temem que o conflito possa desestabilizar os vizinhos da Síria --Israel, Líbano, Turquia, Iraque e Jordânia-- e disseram que o ataque suicida desta quarta aumenta a urgência por ações mais firmes da ONU.

A posição, no entanto, é rejeitada pela Rússia, que tem poder de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Uma resolução propondo um aumento da pressão sobre Assad, que seria votada nesta quarta no conselho, foi adiada para quinta, a pedido do enviado internacional Kofi Annan.

"A batalha pela capital, a luta decisiva (está em curso na Síria", disse o chanceler russo, Sergei Lavrov, a repórteres em Moscou. "É um beco sem saída apoiar a oposição. Assad não vai sair por conta própria e os nossos parceiros do Ocidente não sabem o que fazer quanto a isso."

O ministro da Informação sírio, Omran Zoabi, culpou os governos ocidentais e árabes sunitas pela crise. "Eles são responsáveis por cada gota de sangue. E eles serão responsabilizados", afirmou.

Rebeldes dizem que trouxeram reforços de fora da cidade para acabar com quatro décadas de domínio da família Assad, atacando a base de poder da elite pela primeira vez.

Forças sírias atingiram posições rebeldes em toda a capital após o ataque na reunião de segurança, com ativistas contando que as tropas governamentais e milícias pró-governo estavam lotando a cidade.

O quartel do Exército perto do "palácio do povo", um enorme complexo de estilo soviético com vista para a cidade do distrito de Dummar, ficou sob fogo dos rebeldes por volta das 01h30 (horário de Brasília), disseram ativistas e um morador.

Dummar é uma área segura, contendo muitas instalações auxiliares do palácio presidencial e o quartel fica a apenas centenas de metros do palácio.

Dois grupos rebeldes reivindicaram o ataque à reunião de segurança.

"Este é o vulcão da qual falamos, nós apenas começamos", disse Qassim Saadedine, um porta-voz do Exército Sírio Livre, um grupo de desertores do Exército e jovens sunitas.

Já o Liwa al-Islam, um grupo rebelde islâmico cujo nome significa "Brigada do Islã", afirmou que havia realizado o ataque depois de semanas de planejamento e deu uma versão diferente dos acontecimentos.

"Nossos homens conseguiram implantar explosivos improvisados no edifício para a reunião. Estávamos planejando isso há mais de um mês", contou por telefone um porta-voz do grupo, que pediu para ser identificado como Abu Ammar.

Assad e a elite dominante pertencem à seita minoritária alauíta, uma ramificação do islamismo xiita que detém o poder na Síria desde o golpe de 1963.

Ele se mantém no poder apesar de um ano de rebelião, mas recentes deserções de alto nível sinalizaram que o apoio está começando a cair.

Dois generais-de-brigada sírios estão entre os 600 sírios que fugiram da Síria para a Turquia durante a noite, informou um oficial turco nesta quarta-feira, elevando o número de generais sírios abrigados na Turquia para 20, incluindo um general da reserva.

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