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Atentado em Londres
Terça, 14 de novembro de 2006, 16h01 
Investigação sobre caso Jean Charles está atrasada
 
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A investigação sobre a participação do comissário-chefe da Scotland Yard (Polícia Metropolitana de Londres), Ian Blair, na morte do brasileiro Jean Charles de Menezes está atrasada, e as conclusões não poderão ser divulgadas até o próximo ano, indicaram hoje fontes ligadas ao trabalho de esclarecimento do caso.

Uma porta-voz da Comissão de Investigação de Queixas à Polícia (IPCC, sigla em inglês), explicou que os trabalhos são mais complexos do que o esperado, o que gerou um atraso na divulgação dos resultados, prevista inicialmente para este ano.

A IPCC investiga se o comissário cometeu alguma irregularidade ao divulgar dados incorretos à imprensa poucas horas depois da morte de Jean Charles, confundido com um terrorista no metrô de Londres.

Em 23 de julho de 2005, um dia após a morte do brasileiro, o comissário-chefe da Scotland Yard afirmou em entrevista coletiva que o assassinato estava "diretamente relacionado" a uma operação antiterrorista.

Ian Blair afirmou que a vítima havia desobedecido a ordens dos agentes, e depois a Polícia emitiu um comunicado no qual afirmava que suas roupas e sua postura eram suspeitas.

No entanto, o relatório da IPCC sobre a morte do brasileiro demonstra que, na realidade, Jean Charles havia entrado no metrô como um usuário qualquer, validando seu bilhete e até mesmo parando para pegar um exemplar gratuito de um jornal, além de estar vestido normalmente. A família do brasileiro acusou o comissário, cujo cargo está em jogo, de ter enganado a eles e à opinião pública.

O relatório da IPCC sobre a atuação de Ian Blair é complexo, porque deve estabelecer a seqüência exata dos eventos, e inclui entrevistas com testemunhas, agentes e o próprio comissário, que foi interrogado em agosto passado, revelou a porta-voz. A fonte assegurou que os familiares do brasileiro serão informados sobre os avanços na investigação.

Por outra parte, a promotoria britânica decidiu absolver todos os agentes envolvidos na morte de Jean Charles, apesar de ter acusado a Polícia em seu conjunto por delitos ao amparo da lei de segurança e higiene no trabalho.
 

EFE

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