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A empresa que administra o metrô de Londres foi acusada nesta terça-feira de uma grave falha de segurança ao se descobrir que um jovem processado por terrorismo no Iêmen, filho do clérigo radical Abu Hamza, tinha trabalhado na companhia.
Mohammed Kamel Mostafa, de 25 anos, condenado a três anos de prisão por participar de um suposto complô contra alvos turísticos britânicos e americanos, trabalhou algum tempo para uma empresa contratada pela companhia responsável pela manutenção do metrô de Londres.
Segundo o tablóide The Sun, Mostafa foi demitido quando alguns funcionários descobriram sua identidade. O deputado trabalhista Andrew Dismore criticou hoje o fato de que alguém condenado por terrorismo tenha sido contratado e disse que toda pessoa condenada por esse delito em qualquer lugar do mundo deve ser impedida de trabalhar no metrô londrino.
"O importante é que o terrorismo é um delito internacional. Que alguém tenha sido condenado por este crime no Reino Unido não é suficiente", acrescentou.
O responsável do Interior da oposição conservadora, David Davis, afirmou que não se deveria permitir "o acesso à infra-estrutura de nossos transportes públicos a ninguém que tenha sido acusado de terrorismo em qualquer lugar do mundo, levando em conta o que ocorreu em 7 de julho".
Três atentados contra o metrô de Londres e um quarto contra um ônibus mataram 56 pessoas no dia 7 de julho de 2005 e deixaram cerca de 700 feridos.
O prefeito de Londres, Ken Livingstone, afirmou hoje, após ouvir as críticas contra o filho de Abu Hamza, que "neste país não se pode demitir ninguém pelo que seus pais fizeram".
Hamza, de 48 anos, foi condenado a sete anos de prisão em fevereiro pelo tribunal londrino de Old Bailey por incitação ao assassinato de não-muçulmanos e judeus.
Livingstone reconheceu, no entanto, que, além de ser filho de Hamza, Mostafa tinha sido condenado no Iêmen e disse que este era um fato que devia ter sido levado em conta ao ser contratado.
"Quando foram analisados os antecedentes criminais dele, este fato tinha que ter saído à luz e agora temos que investigar por que isso não aconteceu", insistiu o prefeito.
Abu Hamza apresentou hoje um recurso no Tribunal de Apelações contra sua condenação a sete anos de prisão por considerar que não teve um julgamento justo devido à cobertura da imprensa britânica, mas terá que esperar o resultado.
Três juízes do tribunal anunciaram que a decisão sobre o caso será revisada mais tarde, mas não fixaram uma data.
O advogado do clérigo, Edward Fitzgerald, qualificou de "injusto e opressivo" que Hamza seja julgado este ano por sermões que pronunciou entre 1997 e 2000 sem que a Polícia agisse.
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