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Atentado em Londres
Domingo, 15 de outubro de 2006, 17h20 
Família de Jean Charles recorre da decisão da justiça britânica
 
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A família do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto pela polícia britânica ao confundi-lo om um terrorrista em uma estação do metrô de Londres, em 2005, recorrerá nesta segunda-feira da decisão da justiça de não processar os agentes envolvidos.

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Os advogados da família entrarão com recurso na High Court, o tribunal supremo, contra a decisão do Crown Prosecution Service (CPS), a promotoria britânica.

"Mesmo respeitando a decisão de não processar os oficiais, consideramos que o CPS extrapolou suas funções na avaliação das provas", afirmou a advogada Harriet Wistrich.

A defesa também entrará com recurso contra o adiamento da investigação que poderá prosseguir até 2008 sobre as causas da morte do electricista de 27 anos.

A família do jovem também pretende mover ação contra a incapacidade da Independent Police Complaints Commission (IPCC) a Comissão de Investigação Independente da polícia britânica (IPCC) de publicar o próprio informe sobre as circunstâncias dos disparos que acabaram com a vida de Jean Charles.

A Scotland Yard, encarregada da luta antiterrorista em nível nacional, está sendo processada de forma coletiva por violar uma lei de saúde e segurança, pelo que poderá ser condenada a pagar forte multa.

No dia 19 de setembro, a Scotland Yard se eximiu de culpa da morte de Jean Charles de Menezes, morto pela polícia no dia 22 de julho de 2005, no dia seguinte dos atentados frustrados contra o transporte público de Londres e duas semanas depois de quatro terroristas suicidas terem matado 52 pessoas e ferido 700 nos ataques contra o metrô e um ônibus da capital.

Desde o início, os familiares de Jean Charles apontavam as contradições nas versões apresentadas pela polícia sobre a morte do jovem.

No começo do caso, a Polícia Metropolitana afirmava que o brasileiro havia se comportado de maneira suspeita e que estava vestido com roupas de inverno como se quisesse esconder algo.

Nenhuma dessas alegações era verdadeira, e a polícia teve de admitir que o brasileiro era um simples eletricista que estava indo, como todas as manhãs, a seu trabalho, no dia seguinte a uma tentativa fracassada de um grupo terrorista de repetir os atentados da véspera.
 

AFP

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