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Atentado em Londres
Quinta, 6 de julho de 2006, 13h50  Atualizada às 15h07
Londres: um ano depois, há perguntas sem respostas
 
Reuters
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Flores e um bilhete com os dizeres %u201CLondres, eu te amo%u201D foram depositados na Estação de King Cross, dois dias após os atentados ocorridos a 7 de julho de 2005
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Um ano depois dos atentados suicidas contra a rede de transporte público de Londres, a polícia não conseguiu acusar ninguém em relação ao massacre, e muitas perguntas continuam sem resposta. Além disso, duas investigações oficiais pouco esclareceram sobre os piores atentados da história do Reino Unido, que deixaram 56 mortos - inclusive os quatro terroristas - e cerca de 700 feridos.

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Os terroristas, todos britânicos (três de origem paquistanesa e um de procedência jamaicana), atingiram a capital do Reino Unido na manhã de 7 de julho de 2005, quando detonaram bombas em três trens do metrô e em um ônibus urbano. A Polícia ainda procura pistas enquanto são ultimados os preparativos dos atos para lembrar as vítimas da tragédia, que serão realizados na próxima sexta-feira, quando os primeiros atentados suicidas em solo europeu completam exatamente um ano.

O chefe da brigada antiterrorista da Scotland Yard, Peter Clarke, disse esta semana que os agentes estão tentando "reconstituir" os fatos, mas admitiu que se trata de "um trabalho muito complicado". "Precisamos saber quem mais, além dos terroristas, sabia que o que eles estavam planejando", afirmou Clarke, que acrescentou que os detetives examinaram 13.353 declarações de testemunhas, 29.500 provas e 6.000 horas de gravações de câmaras de segurança.

"Houve um grande avanço, mas resta muito ser feito", afirmou o chefe policial, que tenta responder a perguntas como: "Alguém os encorajou? Alguém os ajudou com dinheiro, alojamento ou conhecimentos para fabricar bombas?". Clarke afirmou que a investigação dos atentados continua sendo "intensa", e ressaltou que ainda acredita ser "possível" descobrir provas que permitam acusar alguém formalmente.

Dois dos terroristas, Mohammed Sidique Khan (30), suposto "líder" do ataque, e Shehzad Tanweer, 22 anos, visitaram o Paquistão antes do massacre. Por isso, grande parte da investigação é concentrada na tentativa de descobrir o que eles fizeram no país asiático. "A suspeita - afirmou Clarke - é que eles tenham se reunido com gente ligada à Al Qaeda e ido a campos de treinamento".

No entanto, as duas investigações oficiais do massacre - uma do Ministério do Interior e outra da Comissão de Inteligência e Segurança da Câmara dos Comuns - não conseguiram confirmar essa suspeita. Segundo o relatório do Ministério do Interior, apresentado em maio ao Parlamento, o Governo britânico não encontrou rastro do suposto apoio da rede terrorista Al Qaeda aos quatro suicidas.

O documento declara que não existem "provas conclusivas" para confirmar as declarações dadas pelo "número dois" da Al Qaeda, Ayman al-Zawahiri, em vídeo transmitidos em 19 de setembro, no qual atribuiu à rede terrorista os ataques contra Londres. A operação foi simples e barata, pois a logística e as "mochilas-bomba" fabricadas pelos próprios terroristas não custaram mais do que US$ 14.750.

A investigação do Governo revelou que os quatro terroristas suicidas tinham vidas duplas, pois alternavam uma interpretação radical do Islã com aspectos da cultura ocidental. Por outro lado, o relatório da Comissão de Inteligência e Segurança da Câmara dos Comuns apontou que "teria havido mais chances de evitar os atentados se tivessem sido destinados mais recursos a tempo" aos serviços de segurança e espionagem.

Além disso, esse documento confirmou que os serviços secretos haviam investigado Khan e Tanweer antes dos atentados, e também haviam fichado o suicida de origem jamaicana, Germaine Lindsay, de 19 anos, embora não o quarto terrorista, Hasib Hussain, de 18. Dadas as dúvidas suscitadas pelos dois relatórios, as famílias das vítimas têm exigido uma investigação pública dos atentados. No entanto, o primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, voltou a descartar essa idéia nesta terça-feira, argumentando que essa investigação seria muito custosa e absorveria recursos destinados à luta antiterrorista.

Nesta quinta-feira, a rede de TV "Al Jazira" divulgou um vídeo no qual aparece um jovem identificado como Tanweer,que assegura que haverá mais atentados. "O que presenciaram agora é só o começo de uma série de ataques que continuarão e serão mais fortes", diz o terrorista na mensagem, aparentemente gravada pouco antes de ele se suicidar.

O terrorista, que fala em inglês e veste lenço "kuffiah" (típico do Oriente Médio) vermelho e branco, diz que Londres será palco de mais atentados "até que (o Governo britânico) retire suas forças do Afeganistão e do Iraque e deixe de financiar Israel".

O vídeo, uma mensagem póstuma de Tanweer, mostra por poucos segundos o "número dois" da Al Qaeda, o egípcio Ayman al-Zawahiri, o que pode dar a entender uma relação entre o terrorista e os atentados de um ano atrás. No entanto, as imagens de Al-Zawahiri podem pertencer a seqüências obtidas da internet, o que ainda não foi comprovado, pois a emissão da TV catariana não tinha som no fragmento no qual o terrorista egípcio aparece.

O vídeo conclui com uma série de imagens sobre o planejamento de atentados e a preparação e teste de explosivos, além de supostos mapas dos alvos, também disponíveis na internet. Além disso, mostra grupos de homens armados com fuzis automáticos em uma área rural.


 

EFE

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