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Atentado em Londres
Quinta, 6 de julho de 2006, 13h50  Atualizada às 14h34
Tempo não apaga a dor dos sobreviventes
 
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A fumaça, os gritos, a escuridão e o medo ainda estão vivos na memória de quem sobreviveu aos ataques terroristas de 7 de julho de 2005 em Londres, mas a dor e a busca de culpados são constantes para aqueles que perderam seres queridos.

Naquele dia, milhões de londrinos começaram o que esperavam que seria uma quinta-feira normal de trabalho. Pouco antes das nove da manhã, porém, três bombas explodiram em diferentes trens do Metrô de Londres e, uma hora depois, outra era detonada em um ônibus perto do Museu Britânico.

Aqueles ataques mudaram tudo. Londres era vítima dos primeiros atentados suicidas em território britânico, tantas vezes tidos como inevitáveis, mas que ninguém se atrevia a imaginar.

Cinqüenta e seis pessoas perderam a vida. Quatro delas eram os próprios terroristas suicidas, que fizeram os ataques coincidirem com a cúpula do Grupo dos Oito (G8, sete países mais ricos do mundo e a Rússia) que era realizada em Gleneagles, na Escócia.

Toda as linhas do Metrô de Londres - utilizadas diariamente por cerca de três milhões de pessoas - tinham seu funcionamento interrompido, os serviços de emergência tentavam chegar aos trens para socorrer as vítimas, as viaturas policiais tomavam a cidade, as comunicações por celulares ficavam, por momentos, impossíveis e as pessoas tentavam ajudar como podiam.

Jacqui Putman, especialista em informática de 55 anos, lia seu jornal no trem quando explodiu, a poucos metros dela, a bomba em Edgware Road, no oeste de Londres.

"Era uma cena de um filme de terror, algo como de tempos medievais", disse Putman à imprensa britânica ao lembrar o fatídico 7 de julho.

"Houve um barulho como de fogos de artifício, uma luz amarela, e todo o ar foi tomado por fragmentos de vidro. Não conseguíamos ver, não conseguíamos respirar, havia gritos, terríveis gritos que vinham de outro vagão", lembra Putman, que admitiu que às vezes se sente desorientada e deixa de lembrar de alguns detalhes.

Da mesma forma que outros sobreviventes dos ataques, Putman quer uma investigação pública sobre a tragédia, como aconteceu nos Estados Unidos após os atentados de 11 de setembro de 2001.

Joanne Gittins, de 24 anos, viajava no trem do ataque em Edgware Road. Ela viu pessoas mortas por todo o vagão e lembra particularmente de um jovem com o rosto ensangüentado.

Como outras vítimas, Gittins sofre de estresse pós-traumático e se vê obrigada a tomar o antidepressivo Prozac.

"O 7 de julho teve um fortíssimo efeito em mim. O estresse pós-traumático te deixa de muito mau humor, você grita com as pessoas o tempo todo. Cheguei a ficar em pânico por sair de casa", disse.

As famílias dos 52 mortos passaram os últimos doze meses tentando superar a dor da perda de seus seres queridos, e procurando culpados.

Philip Russell, de 28 anos, morreu quando Hasib Hussain, de 18 anos, detonou a bomba que levava em sua mochila em um ônibus da linha 30 em Tavistock Square. Para seu pai, Grahame Russell, a dor está tão fresca hoje como em 7 de julho do ano passado.

"Como se pode lidar com a morte de um filho? Nada melhora com a passagem dos meses. Acho que as famílias dos 52 estão na mesma situação. Alguns lidam melhor que outros", disse.

Para Kim Beer, que perdeu seu filho Phil, de 22 anos, no atentado de King''s Cross, o sentimento sobre tudo o que aconteceu piorou quando recebeu uma indenização de 11.000 libras (15.950 euros). Ela decidiu devolver o cheque ao Governo. "O dinheiro nunca conseguirá nada. Pode fazer o Governo se sentir melhor, mas certamente não me ajudará", afirmou.

Beer, que também defende uma investigação pública, admitiu estar furiosa com o Governo trabalhista porque considera que a invasão do Iraque transformou o Reino Unido em alvo dos terroristas.

Assim como Beer, as vítimas criticaram a Autoridade de Compensação por Ferimentos Criminosos (Cica, sigla em inglês) pela forma como os afetados foram indenizados. Em média, as famílias dos mortos receberam 17.262 libras (cerca de 25.290 euros).
 

EFE

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