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Um ano depois dos atentados, os muçulmanos londrinos se sentem estrangeiros em sua própria cidade e assediados pela Polícia, apesar dos esforços de seus líderes para colaborar com as autoridades britânicas. Muhammad Abdul Bari, secretário-geral do Conselho Muçulmano Britânico (MCB, em inglês), a maior organização islâmica do país, alertou que suas iniciativas para criar laços são comprometidas pelas duras táticas da Scotland Yard, que "espalharam a desconfiança entre a comunidade". Operações como a do dia 2 de junho, quando 250 agentes armados entraram em uma casa no bairro de Forest Gate e detiveram dois irmãos, ferindo um, para depois libertá-los sem acusações, provocam "frustração e impotência, e fazem com que as pessoas não queiram saber de nada" em relação aos policiais. Desde 2001, quando entraram em vigor as primeiras leis antiterroristas, endurecidas após os ataques de 7 de julho do ano passado, foram feitas 895 detenções no Reino Unido, das quais apenas 23 acabaram em condenação. Nenhuma destas teve relação com os ataques de 2005. "As detenções chamam a atenção, mas depois ninguém informa das libertações, e isso cria uma imagem ruim dos muçulmanos", lamenta Bari. Além de líder do MCB, Bari é presidente da mesquita do Leste de Londres, no distrito de Tower Hamlets, que tem uma das maiores populações muçulmanas de todo o país. No ano passado, a mesquita ofereceu refúgio e refrescos aos sobreviventes da explosão na vizinha estação de Aldgate East, na qual sete pessoas morreram. Apesar de os muçulmanos da região terem vivido a tragédia em carne própria, a resposta da Polícia foi "a perseguição", disse à Efe Rafik, um muçulmano de 32 anos. Apoiadas em uma legislação draconiana, as autoridades aplicam arbitrariamente a ordem de "deter e revistar" suspeitos, o que faz com que ser ou parecer muçulmano tenha se tornado "muito incômodo". "Eu me sinto inseguro. Se uso uma mochila no metrô, acho que alguém vai me denunciar", afirmou Rafik, que destacou que, "na realidade, a grande maioria dos muçulmanos no Reino Unido é de bons cidadãos que respeitam a lei". Da mesma forma que Rafik, Abjol Miah, vereador em Tower Hamlets do partido progressista Respect, oposto à Guerra do Iraque, acredita que a estratégia antiterrorista do Governo está errada porque parte de uma premissa incorreta. "Tony Blair ainda não reconheceu que ele próprio transformou este país em alvo dos terroristas com sua política externa e as invasões do Iraque e do Afeganistão", declarou à Efe. "As autoridades preferem invocar o fantasma da Al Qaeda - afirma o vereador -, mas até agora não há nenhuma prova de que os autores dos ataques tenham tido vínculos com a organização" dos ataques. A Polícia e o Governo reiteram seus pedidos de que a comunidade muçulmana colabore para denunciar supostos terroristas, mas, segundo Miah, a coletividade os ajuda há muitos anos, sem que aqueles tenham "devolvido o apoio". "Por exemplo, nada foi feito para combater a tremenda ''islamofobia'' surgida após os atentados", critica. Remona Ali, subdiretora da revista Emel, de moda e estilo de vida islâmicos, entristece-se com a situação. "É duro que as pessoas te digam ''vá para casa'', quando a tua casa é este país", lamenta. Uma das razões não existir uma mensagem única é a diversidade da comunidade muçulmana, integrada por uma maioria de pessoas do sul da Ásia, mas com um grande número de imigrantes do Oriente Médio e da África. Adam Dirir, um especialista em informática somali de 27 anos, está cansado de tentar se integrar em uma sociedade na qual "cada vez é mais difícil ser muçulmano". Assim que for possível, ele e sua família emigrarão para algum país islâmico, porque, segundo disse à Efe, não quer que sua única filha, de um ano e meio, "cresça cercada de ódio".
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