Terra
E-mail Chat Índice
 
 
 Sites relacionados
11 de setembro
Terror na Espanha

 Notícias por e-mail

Fale conosco
Atentado em Londres
Quarta, 5 de julho de 2006, 13h54  Atualizada às 14h50
Sobreviventes de atentados cobram governo londrino
 
 Últimas de Atentado em Londres
» Família de Jean Charles diz que multa não é suficiente
» Britânico é acusado de envolvimento nos atentados de Londres
» Suspeito é acusado de possuir manual da Al-Qaeda
» Jean Charles: Brasil critica absolvição de policiais
Os sobreviventes dos atentados a bomba em Londres, que mataram 52 pessoas e feriram outras 700 no ano passado, dizem que questões fundamentais sobre as explosões ainda não foram respondidas pelo governo britânico.

Os passageiros que escaparam com vida dos ataques, lançados por quatro homens-bomba britânicos em três composições do metrô e em um ônibus no dia 7 de julho, desejam uma investigação ampla e aberta a respeito dos atentados, argumentando que pouco se fez até agora para evitar novas ações do tipo.

"Sei que haverá um outro ataque. Sei que a segurança hoje não é maior", afirmou Rachel North, de 35 anos, que estava no vagão da linha Piccadilly, onde Jermaine Lindsay explodiu sua bomba, perto da estação Russell Square, matando 26 passageiros.

"Não se trata de descobrir os culpados. Não se trata de política. É só que tivemos muita sorte pelo fato de um número maior de pessoas não ter morrido e precisamos agora tentar impedir a ação dessas pessoas".

Ao contrário dos Estados Unidos, que realizaram um inquérito amplo depois dos ataques de 11 de setembro de 2001 contra Nova York e Washington, o governo do primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, tem resistido aos apelos para tomar uma medida semelhante.

Segundo ministros do país, um inquérito do tipo poderia distrair os serviços de segurança no momento em que precisam se concentrar nos esforços para impedir novos atentados.

"O ministro do Interior (John Reid) não acredita que uma investigação pública acrescentaria alguma coisa à forma como compreendemos as causas dessas atrocidades", disse uma porta-voz do ministério, notando que haviam sido realizados inquéritos parlamentares sobre os ataques.

O Ministério do Interior divulgou um relatório em maio contendo detalhes sobre as ações, os primeiros atentados suicidas ocorridos na parte ocidental da Europa. Mas o documento não deixou satisfeitos os sobreviventes.

"Ninguém quer colocar em risco a segurança do país e, claro, há coisas que não podem ser divulgadas", afirmou Jacqui Putnam, que estava no vagão à frente daquele em que atacou o suposto líder dos homens-bomba, Mohammad Sidique Khan.

SEM RESPOSTAS

"Mas há outras coisas, há perguntas que deveriam ser respondidas, que precisam ser respondidas publicamente. Há pessoas cujas vidas nunca serão as mesmas, pessoas desoladas, que perderam seus entes queridos. Precisamos de respostas", afirmou.

Um relatório vindo do Parlamento revelou que os serviços de segurança do país já tinham se deparado com dois dos agressores, Khan e Shehzad Tanweer. Eles apareceram às margens de uma outra investigação sobre atividades terroristas e, à época, não foram considerados figuras importantes.

Mas jornais sugeriram que os homens teriam sido vigiados mais de perto, alimentando acusações de que o governo estaria tentando esconder dados sobre o caso.

Segundo os sobreviventes, questões como essas precisam ser analisadas mais de perto em um processo público. Entre as dúvidas que persistem há aquelas referentes às motivações dos homens-bomba e a suas eventuais ligações com a Al Qaeda ou com outros grupos militantes na Grã-Bretanha.

"Temos um grupo de pessoas que nasceram aqui. Este é o lar delas, elas são inglesas e ainda assim sentem-se privadas de seus direitos. Por quê?", perguntou Putnam à Reuters. "Por que elas acreditam estar atacando um inimigo e não sua pátria? Alguém está analisando isso? Alguém está tentando mudar isso?"

"A grande pergunta é sempre o motivo", disse Kirsty Jones, de 38 anos, que também estava na composição da linha Piccadilly. "O 7 de julho foi tão singular que é intrigante o fato de não ter havido um inquérito (público)".

Segundo sobreviventes, um inquérito ajudaria os serviços de emergência a serem mais eficientes, pressionando-os a adotar mudanças. A atuação deles viu-se prejudicada, entre outros fatores, por falhas de comunicação. "Se isso acontecer de novo, o que seria feito de forma diferente? Pelo que pude ver, nada", acrescentou Putnam.
 

Reuters

Reuters Limited - todos os direitos reservados. Clique aqui para limitações e restrições ao uso.