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Astro de esporte medieval defende cavalos e lanças nas Olimpíadas

2 ago 2012
13h35
atualizado às 13h37
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Shane Adams acredita que a justa, atividade medieval com cavalos, pode virar um esporte olímpico
Shane Adams acredita que a justa, atividade medieval com cavalos, pode virar um esporte olímpico
Foto: History Channel / Divulgação

A justa, um esporte que surgiu no século XI e se popularizou durante a Idade Média, poderia se tornar uma modalidade olímpica - mesmo utilizando cavalos, armaduras e lanças. É o que defende o treinador canadense Shane Adams, que estrela o programa Full Metal Jousting no History Channel. Ele faz parte de um pequeno grupo de pessoas que mantém vivo esse esporte como competição - na Europa, encenações de justas são comuns em feiras medievais, mas torneios competitivos são mais raros.

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"Eu acredito que a justa poderia ser um esporte olímpico, com atletas profissionais que quisessem aprender a cavalgar e a lutar", disse Adams. Criado em uma fazenda em Ontário, no Canadá, ele é apontado como um dos responsáveis pelo retorno das justas competitivas. Adams sempre foi fascinado por batalhas medievais. "Aos 4 anos, quando a maioria dos meus amigos estava aprendendo a pular com cavalos sobre cercas ou ordenhar vacas, eu tinha o sonho de ser um cavaleiro de armadura brilhante - mas onde no mundo do século XXI uma pessoa poderia ser treinada em um esporte antigo de reis como a justa?", disse ele, que treinou sozinho durante a juventude. Em entrevista ao Terra, Shane Adams contou como realizou o sonho de se tornar um cavaleiro.

Terra - Como você entrou no mundo das justas?
Shane Adams - Aos 16 anos, eu vi uma apresentação do grupo Medieval Times. Eu pensei: "não seria fantástico ser um cavaleiro?". Quando eu tinha 23 anos, o Medieval Times foi a Toronto, e eu voltei a ser aquele garoto de 16 anos. No fim do show, eu perguntei a um dos participantes como era ser um competidor de justa - acabou que, dois dias depois, eu já estava no grupo. Após atuar com justa teatral por três anos, eu achava que eu estava vivendo o meu sonho de criança de vestir uma armadura brilhante, mas, ao invés disso, eu percebi que estava usando uma roupa de poliéster. Então, saí do Medieval Times para criar uma companhia de estilo mais autêntico, mas ainda coreografado, de justa. Eu tinha cavalos maiores, a armadura de verdade. Em 1997, minha promotora me perguntou se eu queria representar o Canadá no primeiro campeonato de justa internacional da América do Norte. Eu disse que adoraria participar, mesmo como organizador - eu nunca havia competido.

Terra - Como você se tornou uma estrela de justa competitiva?
Shane Adams - Nesse torneio, a primeira pessoa que eu conheci foi Phillip Humphries, da Inglaterra, o maior lutador de justa naquela época. Ele vinha de uma longa geração de lutadores de justa - o pai dele havia lutado e o avô também. Era um cara muito durão. Eu estava usando uma camiseta do Canadá, e quando cheguei, ele disse: "é bom ter outra pessoa aqui representando a monarquia britânica". Aí eu falei: "não estou aqui para competir", e ele respondeu: "bem, seu nome está na lista". Naquele momento, havia mais gente em volta dele e eu não queria amarelar, então aceitei o desafio e comprei o equipamento, o cavalo, e tive uma hora para me preparar. Três dias depois, voltei para casa como campeão mundial de justa.

Terra - Quais foram os efeitos do programa de TV na sua vida? Você tem sido reconhecido por espectadores?
Shane Adams - Tem sido ótimo. Por causa da minha aparência - eu tenho 1,95 m, 120 kg e cabelo comprido -, a maioria das pessoas geralmente fica longe de mim. Mas por causa do programa de TV, eu entro em alguns lugares e as pessoas vêm tirar fotos comigo e pedir autógrafos. Basicamente, estar entre pessoas que querem adquirir mais conhecimento é uma experiência fantástica. Eu tenho 20 cavalos atualmente, todos animais de justa criados na América do Norte. Diferentes organizadores que nunca haviam imaginado em ter justa nos eventos deles estão nos ligando para ir competir.

Terra - Você acredita que o programa de TV irá incentivar mais pessoas a praticar justa?
Shane Adams - Certamente. Eu fiquei muito surpreso com o enorme número de telefonemas e e-mails que não só eu tenho recebido, mas outros competidores de justa na América do Norte receberam em referência ao esporte. Era conhecido aqui na América do Norte, era conhecido no Canadá, mas por darmos um olhar mais moderno, as pessoas observam de outro jeito e percebem que não é só um show coreografado, que o esporte é real, e elas começam a abraçar o esporte e ficam interessadas nele. Eu recebi mil telefonemas, 800 deles de mulheres querendo aprender justa.

Terra - Você acredita que a justa deveria se tornar um esporte olímpico?
Shane Adams - Absolutamente sim. Eu acredito que a justa poderia ser um esporte olímpico, no aspecto equestre que envolve o esporte, com atletas profissionais que quisessem aprender a cavalgar e a lutar. Ela pode definitivamente ser um esporte olímpico. Se isso acontecer, pode legitimar a justa no mundo.

Terra - Você gostaria de ter nascido na Idade Média?
Shane Adams - Não, absolutamente não. Eu gosto de banhos quentes, comida limpa, cuidados médicos. Gosto de jogar videogame, também. É ótimo ser um cavaleiro nos dias de hoje. Se eu fosse um cavaleiro naquela época, especialmente com os ferimentos que eu tive ao recriar um esporte, eu provavelmente já teria morrido há muito tempo.

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Fonte: Terra
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