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 Nas estradas, japoneses enfrentam filas e falta de combustível
18 de março de 2011 15h39 atualizado às 17h31

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Equipe Terra sofre com falta de combustível no Japão

ISABEL MARCHEZAN
MARCELO DO Ó
RICARDO MATSUKAWA
Direto de Niigata

Para percorrer, nesta sexta-feira, os cerca de 300 km que separam Tóquio da cidade de Niigata, na costa oeste do Japão, a equipe de reportagem do Terra teve de deter-se em nada menos do que sete postos de combustível ao longo do caminho. Encontrar gasolina é hoje um dos maiores problemas dos japoneses, mesmo aqueles que vivem distante das regiões diretamente afetadas pelo terremoto ou pelo tsunami da semana passada.

Na região noroeste do país (províncias de Fukushima e Miyagi, as mais atingidas pelo tsunami) não há combustível, e por isso era preciso pegar a estrada com o tanque cheio - e não deixá-lo esvaziar.

Filas que se alongam por quarteirões são comuns. O primeiro posto procurado, próximo à saída de Tóquio, tinha uma fila de espera de uma hora, e por isso decidimos seguir adiante. No posto seguinte, ainda na capital, nova fila quilométrica. Desta vez, resolvemos parar. Minutos depois de entrar na fila, entretanto, o frentista se postou em frente ao carro com o cartaz que ninguém queria ver: acabou o combustível. Havia gasolina apenas para os carros à nossa frente na fila.

Mais um posto fechado, e saímos da cidade. Na quarta tentativa, já na estrada, resolvemos insistir apesar de encontrar a placa de "não temos gasolina" - apresentamos os documentos de jornalistas e, com alguma lábia e simpatia, compramos 20 litros de gasolina - colocados no carro escondido atrás de um muro. Mas por que fechar o posto se ainda há combustível? Porque veículos de emergência e de resgate, como ambulâncias e bombeiros, não podem encontrar postos a seco. Por isso, os mesmos têm de cerrar as bombas antes de esgotar o estoque.

Os próximos dois abastecimentos, também na estrada, foram limitados a 2 mil ienes (cerca de 13 litros) e exigiram paciência de entrar na fila. Neste sábado, a estratégia já está montada para chegar à costa leste, onde não há abastecimento possível: comprar um galão e levar nosso próprio estoque de gasolina.

Terremoto e tsunami devastam Japão
Na sexta-feira, 11, o Japão foi devastado por um terremoto que, segundo o USGS, atingiu os 8,9 graus da escala Richter, gerando um tsunami que arrasou a costa nordeste nipônica. Fora os danos imediatos, o perigo atômico permanece o maior desafio. Diversos reatores foram afetados, e a situação é crítica em Fukushima, onde existe o temor de um desastre nuclear.

Juntos, o terremoto e o tsunami já deixaram mais de 6,9 mil mortos e dezenas de milhares de desaparecidos. Além disso, os prejuízos já passam dos US$ 200 bilhões. Em meio a constantes réplicas do terremoto, o Japão trabalha para garantir a segurança dos sobreviventes e, aos poucos, iniciar a reconstrução das áreas devastadas.

Terra no Japão
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Terra
  1. 18 de março - Veículos formam longa fila para abastecer em posto de gasolina, no noroeste do Japão

    Foto: Ricardo Matsukawa/Terra

  2. 18 de março - Placa em posto de gasolina diz que limite de compra é de dois mil ienes, em Niigata

    Foto: Ricardo Matsukawa/Terra

  3. 18 de março - No banheiro de um posto de gasolina, baldes são usados para descarga devido à falta de luz

    Foto: Ricardo Matsukawa/Terra

  4. 18 de março - Filas quilométricas em postos de gasolina se tornaram comuns no Japão

    Foto: Ricardo Matsukawa/Terra

  5. 18 de março - Máquinas de bebidas em posto de gasolina ficaram fora de funcionamento devido à falta de energia

    Foto: Ricardo Matsukawa/Terra

  6. 18 de março - Motoristas formam fila para abastecer os carros em posto de gasolina na cidade de Niigata

    Foto: Ricardo Matsukawa/Terra

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