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 Assustados, brasileiros lotam consulado para sair do Japão
18 de março de 2011 10h38 atualizado às 13h06

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Brasileiros lotam consulado para poderem sair do Japão

ISABEL MARCHEZAN
MARCELO DO Ó
RICARDO MATSUKAWA
Direto de Tóquio

O terremoto seguido de tsunami e ameaça de desastre nuclear assustou os brasileiros que vivem no Japão - até mesmo aqueles que vivem há décadas no país e já estavam acostumados aos abalos sísmicos. Não por acaso, o consulado brasileiro em Tóquio vem atendendo, na última semana, pelo menos 200 pessoas por dia para regularizar seus documentos para sair do país. Até diplomatas estão embarcando suas famílias de volta.

Suzana dos Santos Miura, 29 anos, que vive há 15 no Japão, está morando no carro com o marido desde a última sexta-feira. Não tem coragem de voltar a seu apartamento no nono andar de um edifício em Chiba, a 50 km de Tóquio. "Estou apavorada. Normalmente, os terremotos eram coisa de segundos, mas esse durou dois minutos", disse ela, que já marcou passagem para retornar ao Brasil no dia 7 de abril. "Gostaria de voltar antes, mas preciso levar minha cadelinha (a yorkshire Mel), e a única companhia que deixa ela embarcar comigo é a Lufthansa", observou, mostrando o documento de autorização especial.

A irmã de Suzana, Laura Akahoshi, esteve no consulado brasileiro com o marido, Antony, e os dois filhos na manhã da última sexta-feira, quando a espera por atendimento chegava a três horas. O casal avalia retornar ao Brasil e quer estar com todos os passaportes em dia para poder embarcar a qualquer momento. A montadora onde Antony trabalha, em Gunma (200 km da capital), está parada há uma semana e não tem data para retomar as atividades. Sem trabalho e sem pagamento, o operador de 26 anos quer voltar para São Paulo. "Sem dinheiro, não dá para ficar", disse ele, que vive há três anos no país. A fábrica de bentô (comida pronta) onde Suzana trabalhava também parou devido ao terremoto, e ela aproveitou para pedir as contas.

Laura ressaltou que vai sentir falta da "tranquilidade" do Japão, especialmente porque tem dois filhos pequenos - Allan, de dois anos, e Laissa, de 10 meses. "Aqui também é mais fácil conseguir as coisas", acrescentou a sansei (neta de japoneses) que veio para o Japão com os pais, aos 13 anos.

Terremoto e tsunami devastam Japão
Na sexta-feira, 11, o Japão foi devastado por um terremoto que, segundo o USGS, atingiu os 8,9 graus da escala Richter, gerando um tsunami que arrasou a costa nordeste nipônica. Fora os danos imediatos, o perigo atômico permanece o maior desafio. Diversos reatores foram afetados, e a situação é crítica em Fukushima, onde existe o temor de um desastre nuclear.

Juntos, o terremoto e o tsunami já deixaram mais de 5,4 mil mortos e dezenas de milhares de desaparecidos. Além disso, os prejuízos já passam dos US$ 200 bilhões. Em meio a constantes réplicas do terremoto, o Japão trabalha para garantir a segurança dos sobreviventes e, aos poucos, iniciar a reconstrução das áreas devastadas.

Terra no Japão
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