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Sobreviventes denunciam abandono após terremoto na China

O terremoto deixou pelo menos 188 mortos e mais de 12 mil feridos, mil deles em estado grave, além de 25 desaparecidos

22 abr 2013
09h13
atualizado às 11h03
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Centenas de sobreviventes de um terremoto de magnitude 6,6 que matou quase 200 pessoas no sudoeste da China fizeram uma passeata nesta segunda-feira, exigindo mais assistência e ofendendo a polícia.

<p>Sobreviventes de terremoto na China protestam reclamando da falta de apoio do governo no vilarejo de Chaoyang, em Lushan</p>
Sobreviventes de terremoto na China protestam reclamando da falta de apoio do governo no vilarejo de Chaoyang, em Lushan
Foto: Jason Lee / Reuters

"Estamos ao relento aqui. Nenhum lugar para dormir, nada para comer. Ninguém está prestando nenhuma atenção a nós", disse o agricultor Peng Qiong, 45 anos, que mora na aldeia de Chaoyang, nos arredores de Lushan e perto do epicentro do tremor.

Moradores de Lushan procuram pertences em meio aos destroços de sua casa, que foi destruída pelo tremor
Moradores de Lushan procuram pertences em meio aos destroços de sua casa, que foi destruída pelo tremor
Foto: AFP

A China liberou 1 bilhão de iuanes (US$ 161,9 milhões) para a província de Sichuan depois do terremoto de sábado, e mobilizou cerca de 18 mil soldados para a região. O terremoto deixou pelo menos 188 mortos e mais de 12 mil feridos, mil deles em estado grave, além de 25 desaparecidos, segundo as autoridades. Mais de 220 mil pessoas foram retiradas da área, onde aproximadamente 13 mil casas foram destruídas.

Mas, embora alguns tenham elogiado a rápida resposta governamental, outros se mostram cada vez mais irritados. Em 2008, a província de Sichuan já havia sido a mais atingida por um terremoto de magnitude 7,9 que matou quase 70 mil pessoas.

Algumas vias públicas foram interditadas ao tráfego não emergencial, e ficaram congestionados com veículos governamentais. No caminho de Baoxing, uma área fortemente atingida a cerca de 40 quilômetros de Lushan, veículos parados - ambulâncias, carros de transporte militar, veículos de construção e ônibus usados pelas equipes de resgate - bloqueavam as duas pistas da estrada, tornando o acesso ao lugar possível só a pé ou de moto.

Moradora de Lingguan, na província de Sichuan, carrega móvel de sua casa destruída pelo terremoto
Moradora de Lingguan, na província de Sichuan, carrega móvel de sua casa destruída pelo terremoto
Foto: Reuters

Tian Kuanqian sobreviveu a uma sinuosa fissura que rachou o andar de cima da sua casa. Há mais de dois dias esse agricultor de 40 anos vê os veículos de emergência passarem reto por sua aldeia. "Se continuarem nos ignorando, não teremos escolha senão protestar", disse ele, acrescentando que sua família está instalada em condições precárias, sem receber água nem alimentos. "Precisamos de tendas", afirmou.

Um policial de Chaoyang que tentava conter os manifestantes disse que as autoridades estão fazendo o que é possível. "Nossos líderes nos visitaram e estamos trabalhando para levar comida e água a essas pessoas", disse o agente, que não quis se identificar.

Réplicas dificultam resgate
Mais de 2,3 mil réplica (tremores de menores intensidades) foram registrados até o momento na comarca chinesa de Lushan, na província de Sichuan, depois que o terremoto do último sábado. Segundo a Agência de Terremotos da China, 2.360 réplicas foram registradas na região desde o último sábado, sendo que quatro delas apresentou uma magnitude superior aos 5 graus.

O Observatório Meteorológico Central advertiu sobre a possibilidade de que as réplicas, assim como a chuva que está sendo esperada nos próximos dois dias, possam gerar deslizamentos de terra e outros desastres meteorológicos, o que pode afetar as operações de resgate e de assistência a 1,72 milhão de pessoas que foram afetadas pelo terremoto.

Para tentar ajudar aos residentes das áreas mais remotas, helicópteros da Força Aérea chinesa completaram hoje o primeiro de uma série de lançamentos para fornecer comida e água aos sobreviventes da aldeia de Baosheng. De acordo com a agência "Xinhua", os helicópteros entregaram 2,6 toneladas de provisões.

Além dos estragos citados, o terremoto bloqueou várias estradas na comarca de Lushan, o que deixou os habitantes de muitas aldeias remotas sem acesso a alimentos.

O oeste da China é uma zona de frequente atividade sísmica, sendo que nas últimas semanas vários tremores de menor intensidade (ao redor de 5 graus na escala Richter) foram registrados na província chinesa de Yunnan, os quais deixaram dezenas de pessoas feridas.

Com informações adicionais da agência EFE

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