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Segue busca por soterrados em prédio de Bangladesh; mortos já passam de 220

25 abr 2013
10h22
atualizado às 10h49

Sobreviventes de um desabamento que matou ao menos 228 pessoas em Bangladesh, a maioria mulheres, disseram ter escutado um ensurdecedor barulho de rachadura segundos antes da queda do edifício onde funcionavam várias oficinas de costura a serviço de marcas estrangeiras.

Acredita-se que ainda haja muitos trabalhadores soterrados após o desastre, que ocorre cinco meses depois de um incêndio que matou 112 pessoas em uma fábrica. Incidentes como esse ameaçam abalar a reputação de Bangladesh como origem de produtos baratos para firmas europeias e norte-americanas.

Vizinhos ajudam a retirar sobreviventes dos escombros do Rana Plaza, um prédio de oito andares na localidade de Savar, a 30 quilômetros de Daca, a capital. Mais de mil pessoas ficaram feridas no desabamento, ocorrido na quarta-feira.

Zohra Begum, que trabalhava no terceiro andar do edifício Rana Plaza, disse ter escutado um "barulho ensurdecedor" na hora do desabamento. "Mas eu não consegui entender o que estava acontecendo. Eu corri e fui atingida por algo na cabeça", relatou.

O bombeiro Mizanur Rahman, que participa das buscas, disse que será difícil salvar todos os sobreviventes soterrados. "Estamos perdendo um pouco das esperanças", afirmou.

O chefe de polícia Habibur Rahman disse que o número de mortos ainda pode crescer. O governo decretou luto nacional na quinta-feira.

Autoridades de Daca já haviam aberto um processo contra o proprietário do edifício por causa de problemas estruturais, segundo Rahman. Agora, esse proprietário e os donos de cinco oficinas de costura responderão por homicídio culposo.

Na quinta-feira, mais de mil operários têxteis cercaram a sede da Associação de Fabricantes e Exportadores de Vestuário de Bangladesh, apedrejando o local e entrando em confronto com a polícia, conforme mostraram TVs locais. Os trabalhadores exigem o fechamento de todas as oficinas de costura, e severas punições aos proprietários por acidentes.

Centenas de estudantes doaram sangue em uma clínica de Savar depois que médicos em Daca disseram não estar dando conta do número de feridos.

Mohammad Mosharraf, que foi resgatado na quinta-feira após 26 horas soterrado, disse que desmaiou ao ser atingido na cabeça por algo pesado.

"Quando recobrei os sentidos encontrei outros quatro colegas que também estavam retidos sob os escombros do edifício", disse ele à Reuters. "Tentamos desesperadamente gritar para que alguém nos resgatasse. Inicialmente não tivermos resposta, mas nos deslocamos para outra parte do andar e encontramos alguma luz, e ouvimos vozes."

(Reportagem adicional de Anis Ahmed, em Daca, Jessica Wohl e Nivedita Bhattacharjee, em Chicago, e Solarina Ho, em Toronto)

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