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Sea Shepherd articula ações para conter baleeiros japoneses

10 dez 2011
06h00
atualizado às 06h15

Os ecologistas do Sea Shepherd finalizam os últimos preparativos para empreender nas águas da Antártida uma das mais intensas campanhas para cancelar a temporada de caça dos baleeiros japoneses.

Os navios da organização, intitulados de "Bob Barker", "Steve Irwin" e "Brigitte Bardot", vão partir da Austrália na próxima semana com a missão de impedir que a frota japonesa capture aproximadamente 900 baleias para supostos "fins científicos".

O objetivo final do grupo é fazer com que o Japão suspenda a temporada anual de caça de baleias, assim como o êxito que foi alcançado no último mês de fevereiro. Esta será a oitava campanha da Sea Shepherd que se apresenta como "uma das mais extremas já realizadas até agora" e segue intitulada de "Operação Vento Divino", como a dos "kamikazes", os pilotos suicidas japoneses da Segunda Guerra Mundial.

Vários ativistas manifestaram recentemente que estão dispostos a arriscar sua vida em defesa dos cetáceos, mas o capitão da embarcação "Bob Barker", Alex Cornelissen, declarou que "isto não significa atuar de forma estúpida e arriscar inutilmente a segurança das pessoas".

Cornelissen assinalou que em todos esses anos que foram realizadas campanhas nunca ninguém ficou ferido, mas admitiu que este ano os confrontos podem ser "potencialmente mais violentos", já que os navios da frota japonesa reforçaram a segurança.

Para esta temporada na Antártida, o Japão destinou aproximadamente US$ 29 milhões adicionais para reforçar a proteção de seus três navios, comandados pelo Yushin Maru, que partiu rumo ao sul na última terça-feira ao lado de várias embarcações da guarda costeira.

Diversas organizações ambientalistas internacionais denunciaram que este dinheiro procede do fundo de reconstrução pelo terremoto e tsunami, o mesmo que afetou o Japão em março.

As autoridades japonesas justificaram o uso destes fundos na campanha de caça com o argumento que muitas comunidades pesqueiras foram prejudicadas, uma versão que não convence os ambientalistas, que consideram que o dinheiro deveria ser utilizado para atender às pessoas e não para matar baleias.

A Austrália - que no último ano chegou a enviar um requerimento à Corte Internacional de Justiça contra a caça japonesa de baleias, por considerar que possui fins comerciais e não científicos -, se negou a enviar navios para proteger os ativistas neste ano.

O ministro australiano do Meio Ambiente, Tony Burke, assegurou que seu país, que tem o Japão como um de seus principais parceiros comerciais, fez esforços para que essa reivindicação prospere. Porém, enfatizou que "infelizmente, como toda ação legal, a demora acaba impedindo algumas ações".

Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, Costa Rica, Equador, México, Panamá, Peru, República Dominicana e Uruguai, integrantes da Comissão Baleeira Internacional, também enviaram um comunicado a Tóquio para buscar o fim das caças às baleias.

Cornelissen elogiou a iniciativa do chamado Grupo de Buenos Aires e também destacou a importância do Chile na atuação contra a frota baleeira japonesa. "Esperamos que (os baleeiros japoneses) cometam um erro para que países como o Chile os detenham", acrescentou o capitão.

A caça comercial de baleias está proibida desde 1986, mas diversas exceções permitiram países como o Japão, Islândia e Noruega a continuar com as capturas.

No Japão, que retomou em 1987 a caça de baleias alegando motivos científicos e desde então fixa de forma unilateral uma cota de mil animais anuais, o consumo da carne destes mamíferos teve uma queda em seu consumo nos últimos anos.

EFE   
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