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Quase 330 milhões de abortos foram realizados na China em 40 anos

16 mar 2013
10h43
atualizado às 11h26
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Quase 330 milhões de abortos foram praticados na China entre 1971 e 2010, segundo números do ministério da Saúde. O ministério divulgou em janeiro as estatísticas sobre as esterilizações e os abortos, antes de anunciar a fusão com a Comissão Nacional da População e de Planejamento Familiar.

Alguns analistas interpretam a reorganização como o início de uma flexibilização do número de nascimentos permitido na China, mas altos funcionários do governo afirmaram justamente o contrário esta semana.

"O planejamento familiar será reforçado, e não enfraquecido", declarou Wang Feng, diretor adjunto da agência de reforma do setor público. "Depois da reforma, a China seguirá com sua política de planejamento familiar", afirmou o secretário-geral do governo, Ma Kai.

Desde o início dos anos 1980, o limite do número de nascimentos imposto a todos os chineses e a política do filho único para os residentes nas cidades permitiu, segundo Pequim, evitar 400 milhões de partos no país de maior população do mundo, que tinha 1,354 bilhão de habitantes no fim de 2012.O número de abortos foi superior a 10 milhões por ano entre 1982 e 1992, com picos de mais de 14 milhões em 1983 e 1991, destaca o ministério.

Mas os abortos também serviram para a eliminação seletiva de embriões e fetos femininos, o que reduziu em dezenas de milhões o número de mulheres. A limitação dos nascimentos provocou um grande número de abortos forçados, atualmente proibidos, pelo menos em tese, pois ainda são comuns em algumas regiões.

Em junho do ano passado, o caso de uma mulher obrigada a abortar quando estava grávida de sete meses provocou um escândalo e obrigou as autoridades a pedir desculpas.

A médio prazo, a China será obrigada a flexibilizar o controle da natalidade em consequência do envelhecimento demográfico e da redução da população ativa, segundo demógrafos e analistas.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 

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