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Poligamia persiste no Vietnã apesar do meio século de proibição

23 mai 2013
10h04
atualizado às 10h22

Ter um filho varão e gozar de um suposto prestígio em uma sociedade machista como é o caso da vietnamita mantêm viva a poligamia neste país, apesar de a prática estar proibida há mais de meio século.

"Antes era habitual que muitos homens tivessem várias mulheres. Era lendário o número de concubinas de alguns imperadores. Mas, desde que foi proibida em 1959, a poligamia se transformou em um fenômeno muito menos frequente", explica Nguyen Hieu, professor de Psicologia em Ho Chi Minh (antiga Saigon).

A aldeia de Dak Ria, na província meridional de Binh Phuoc, é um dos lugares do Vietnã nos quais a poligamia sobrevive, ainda que com menos vigor que há alguns anos.

"Quando eu era criança, os homens mais ricos tinham até dez esposas", lembra Dieu Xay, de 57 anos e chefe da aldeia.

"Na época era um sinal de prestígio social e os demais homens atribuíam aos polígamos poderes mágicos para atrair as mulheres. Mas hoje têm, no máximo, duas esposas e são poucos", acrescenta.

Nessa aldeia, Bay, um camponês de 75 anos, passa a maioria das manhãs conversando e bebendo licor de arroz com seus vizinhos, enquanto suas duas esposas trabalham no arrozal sob um tórrido sol.

"Me casei pela primeira vez em 1966. Após um ano tentando, não pudemos ter filhos e decidi buscar uma nova esposa. Com ela tive a sorte de ter três filhos, entre eles dois varões. É a única razão pela qual me casei pela segunda vez", declara.

O polígamo garante que suas duas esposas se entendem "como irmãs" e que não têm nenhum conflito na convivência, mesmo compartilhando o teto, já que cada uma tem sua própria cama.

"Meus três filhos sempre as trataram da mesma forma, pois consideram que são suas mães e não tivemos nunca problemas a esse respeito", assegura.

Como milhões de vietnamitas, Bay não é afetado pela proibição legal da poligamia uma vez que não inscreveu nenhuma de suas uniões conjuguais no cartório e com as duas mulheres se limitou a celebrar uma festa familiar.

"O único problema é que em 1984 me converti ao cristianismo e não é permitido ter duas mulheres nesta religião. Mas, como meus dois casamentos foram antes da minha conversão, penso que não descumpro as normas religiosas e que poderei ir para o Céu", comenta.

Segundo o professor Hieu, a convivência entre as duas esposas só é possível em áreas remotas onde o nível educacional é muito baixo e a poligamia é socialmente aceita, mas diz que lhe parece que não pode ser viável na cidade, onde é difícil encontrar homens que tenham mais de uma relação matrimonial simultânea.

Um deles é Quan, um saigonense de 37 anos que divide os dias da semana entre suas duas esposas.

"Três dias por semana passo com a primeira e os outros três na casa da segunda. Além disso, alterno o domingo entre as duas", explica à Efe.

Com uma boa situação econômica, este vietnamita já não quer apenas garantir a descendência, pois tem um filho varão com cada uma de suas mulheres, mas "sair da rotina".

"Não vejo nada ruim em fazer isso enquanto possa mantê-las e elas também não. Além disso, elas não convivem na mesma casa", afirma.

Na opinião de Hieu, as mulheres aceitam estas situações assim como o adultério reiterado de seus esposos devido ao machismo que impregna a sociedade vietnamita.

"A muitas mulheres não lhes resta outro remédio que aceitar, tanto no caso da poligamia como no do adultério. Elas têm medo de fracassar em seu casamento, as mulheres divorciadas não são bem vistas no país e fica difícil encontrar um novo parceiro. Além disso, também influi a dependência econômica da mulher em relação ao homem", conclui o psicólogo.

EFE   

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