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Policiais filipinos temem atentados contra o Papa Francisco

Sob proteção de 40 mil policiais, Pontífice faz visita de cinco dias às Filipinas, onde Paulo VI e João Paulo II foram alvos de tentativas de assassinato

15 jan 2015
09h12
atualizado às 11h43
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O Papa Francisco chegou nesta quinta-feira às Filipinas, onde fará uma visita de cinco dias que pretende reunir imensas multidões de fiéis. A empolgação da população (majoritariamente católica), no entanto, contrasta com a preocupação do serviço de segurança local: ao mesmo tempo em que consideram o risco de avalanches humanas, os policiais se preparam para evitar eventuais atentados islamitas no país - em que dois Sumos Pontífices, Paulo VI e João Paulo II, já foram alvos de tentativas de assassinato.

<p>Policiais que integram o esquema de segurança</p>
Policiais que integram o esquema de segurança
Foto: Cheryl Ravelo / Reuters

"Neste ano, isso representará nosso maior pesadelo", comentou o comandante-em-chefe do exército filipino, general Gregorio Catapang, enquanto preparava suas tropas compostas por mais de 40 mil soldados.

Para as autoridades, a maior preocupação é o controle das multidões. O presidente Benigno Aquino pediu aos filipinos manterem a calma e evitarem criar tumultos que possam colocar em o Pontífice em perigo.

"Vocês querem que uma tragédia que envolva o Papa ocorra nas Filipinas e entre para a história?", questionou.

A chegada
Os sinos das igrejas começaram a tocar nas Filipinas quando o pontífice aterrissou. Através da janela do avião era possível vê-lo sorridente, enquanto centenas de crianças cantavam na pista do aeroporto internacional de Manila uma música de boas-vindas. 

<p>Papa acena aos fiéis ao lado do presidente Benigno Aquino</p>
Papa acena aos fiéis ao lado do presidente Benigno Aquino
Foto: Erik De Castro / Reuters

Antes, ele havia visitado o Sri Lanka, país de maioria budista, onde lançou apelos pela harmonia entre as religiões. Ele foi acompanhado por um milhão de pessoas e fez a missa de canonização do primeiro santo local, Joseph Vaz.

Esta segunda viagem do argentino pela Ásia está destinada a estimular uma região encarada como "terra do futuro" para o catolicismo. Embora os católicos representem apenas 3% da população asiática, 80% dos 100 milhões de habitantes das Filipinas - antiga colônia espanhola - praticam um catolicismo fervoroso.

Na estrada que sai do aeroporto, centenas de milhares de pessoas se reuniram para poder ver Francisco de perto pela primeira vez. "É uma bênção ver o Papa, por isso estamos aqui", declarou Jeannie Blesado, professora de 35 anos que esperava há seis horas a chegada do pontífice.

"Cada um de seus passos, cada um de seus deslocamentos, cada momento passado conosco são preciosos", afirmou o arcebispo Socrates Villegas, presidente da Conferência Episcopal das Filipinas.

A visita
Na apertada agenda nas Filipinas deste Papa de 78 anos (que no Sri Lanka mostrou sinais de cansaço) há dois momentos especiais. 

No sábado ele visitará Tacloban, na ilha de Leyte, a 650 km de Manila, vítima em 2013 do tufão Haiyan, que deixou mais de 10.000 mortos, dezenas de milhares de desabrigados e destruiu muitas infraestruturas.

A visita corre o risco de ser caótica, já que o aeroporto acaba de ser consertado, e são esperadas centenas de milhares de pessoas, por terra e por mar. O Papa respondeu ao desejo dos bispos filipinos para que manifeste a solidariedade da Igreja diante deste desastre natural.

Francisco, que prepara para a primavera (boreal) uma encíclica sobre o meio ambiente, pode denunciar os prejuízos que a corrupção e o enriquecimento excessivo de uma minoria provocam sobre o entorno natural. As Filipinas, novo "dragão" da Ásia com forte crescimento econômico, são um dos países com maiores desigualdades e mais corruptos da Ásia.

O outro grande evento será realizado no domingo: a missa final no Rizal Park de Manila, onde são esperados até 6 milhões de fiéis. Nesse caso superariam os cinco milhões reunidos por João Paulo II durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de 1995.

Ataque contra a Charlie Hebdo
No avião que o levou do Sri Lanka às Filipinas, o Papa estava acompanhado de alguns jornalistas. Embora não tenha citado o atentado à redação da revista Charlie Hebdo, na França, ele afirmou, durante conversa, que a liberdade de expressão tem seus limites e que não se pode provocar nem ofender uma religião. 

"Acho que os dois são direitos humanos fundamentais, tanto a liberdade religiosa, como a liberdade de expressão (...). Temos a obrigação de falar abertamente, de ter esta liberdade, mas sem ofender (...). Não se pode ofender, ou fazer guerra, ou assassinar em nome da própria religião ou em nome de Deus", disse. 

Em seguida, o Francisco fez uma brincadeira com um dos correspondentes do avião ao tentar explicar esse "limite" da liberdade de expressão. 

"É verdade que não se pode reagir violentamente, mas se Gasbarri (nome do jornalistas que o fez uma das perguntas), grande amigo, diz uma palavra feia da minha mãe, pode esperar um murro. É normal", brincou. "Dei este exemplo para dizer que nisto da liberdade de expressão há limites", completou. 

Com informações da EFE

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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