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ONU: mortes em Fukushima não foram causadas por radiação

24 mai 2012
07h30
atualizado às 07h37

Os seis trabalhadores da TEPCO, empresa gerente da usina nuclear japonesa de Fukushima, que morreram desde o grave acidente ocorrido em março de 2011, não perderam a vida em consequência da radiação recebida, assegura um relatório das Nações Unidas apresentado nesta quinta-feira em Viena.

O estudo preliminar do Comitê Científico da ONU sobre os Efeitos da Radiação Atômica (UNSCEAR, na sigla em inglês) explica que graças a medições de elementos radioativos no ar, solo, água e alimentos, analisa as doses recebidas por adultos e crianças em diferentes partes do Japão.

Apesar da elevada exposição à radiação sofrida por alguns dos trabalhadores da TEPCO na usina de Fukushima Daiichi, "não foram registrados efeitos clinicamente observáveis". O UNSCEAR deve apresentar um relatório mais exaustivo dentro de um ano.

Wolfgang Weiss, presidente rotativo do Comitê, explicou nesta quinta-feira à imprensa que um desses falecidos tinha leucemia, mas "é possível descartar que tenha tido algo a ver com a exposição radiológica". Segundo os dados do UNSCEAR, um total de 20.115 trabalhadores esteve exposto a radiações em Fukushima, dos quais apenas oito receberam elevadas doses de radiação, segundo dados oficiais do Japão.

Weiss considerou como "confiáveis" estes números e destacou que as maiores concentrações de radiação aconteceram nos primeiros dias após o acidente, quando um número muito reduzido de trabalhadores estava na usina. Em todo caso, o especialista reconheceu que "validar a exposição dos trabalhadores à radiação será um desafio".

Por outra parte, Weiss qualificou como "destacáveis" as medidas de contenção promovidas pelas autoridades japoneses, inclusive as evacuações em grande escala e o corte de provisão de leite para crianças. Graças a essas medidas, a exposição radiológica da população local "foi muito moderada", asseverou o presidente do UNSCEAR, destacando o tempo todo o caráter preliminar dos dados apresentados e o fato de que a análise dos efeitos de Fukushima é um projeto de longo prazo.

O UNSCEAR, um comitê que existe desde 1995 e ao qual pertencem 27 analistas de todo o mundo, recebe os dados que analisa das autoridades japonesas e de diferentes agências das Nações Unidas, assim como da Organização Mundial da Saúde e da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação.

EFE   

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