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Norte-coreanos devem se inclinar 3 vezes ao dia por Kim

22 dez 2011
06h24
atualizado às 08h30

Os norte-coreanos devem apresentar seu respeito três vezes ao dia ao líder falecido Kim Jong-il para mostrar fidelidade à dinastia comunista, afirmou um especialista sul-coreano nesta quinta-feira.

Oficiais do exército norte-coreano choram a morte de Kim Jong-il em uma praça de Pyongyang
Oficiais do exército norte-coreano choram a morte de Kim Jong-il em uma praça de Pyongyang
Foto: AFP

Na morte em 1994 do pai de Kim Jong-il, o fundador da Coreia do Norte Kim Il-sung, bastava apenas uma inclinação diária para provar fidelidade, explicou Kim Young-soo, professor de ciências políticas na Universidade Sogang de Seul.

"Está enraizado na consciência dos norte-coreanos que deve-se manifestar a dor da forma mais aguda possível quando o chefe supremo morre, para evitar qualquer suspeita sobre sua lealdade", declarou à AFP. Especialista sobre a Coreia do Norte, Young-soo entrevistou diversos refugiados norte-coreanos sobre o regime comunista de Pyongyang.

"Os norte-coreanos sabem que, quanto mais dor demonstrarem, melhor é. As cerimônias de luto são de alguma forma obrigatórias e organizadas", explicou.

Segundo este professor, pedir à população que se incline três vezes por dia, como fizeram as autoridades, parece indicar que a lealdade a Kim Jong-il é menos forte que a concedida ao seu pai.

A agência de notícias oficial KCNA informou que cinco milhões de moradores da capital, Pyongyang, se reuniram no local de homenagem em 24 horas. A população da Coreia do Norte é de 24 milhões. O filho de Kim Jong-il, Kim Jong-un, foi designado como novo líder do país, tornando-se o terceiro membro da primeira dinastia comunista do mundo.

Morre Kim Jong-il
O líder norte-coreano, Kim Jong-il, morreu nesse sábado, 17 de dezembro, vítima de "fadiga física", quando realizava uma viagem de trem. Sua morte só foi anunciada nessa segunda, 19, pela agência estatal norte-coreana. Após receber a notícia, o governo e o Exército da Coreia do Sul entraram em estado de alerta, enquanto a população da Coreia do Norte chorava o falecimento do líder, que abre espaço para ascensão de seu filho, Kim Jong-un, provável herdeiro em Pyongyang.

Jong-il, 69, comandava a Coreia do Norte desde 1994, após a morte de seu pai, Kim Jong-sun, fundador do país. Durante 17 anos, cultivou um dos regimes mais fechados do mundo, baseado no culto de si e do sistema comunista. O governo hermético não impediu que idiossincrasias de Jong-il viessem a público, como o autoproclamado título de inventor do hambúrguer, formando a imagem complexa de um líder excêntrico de um país isolado do mundo, cujo futuro na península coreana é agora incerto.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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