PUBLICIDADE

Muçulmanos da Ásia celebram o Eid al-Fitr, o fim do Ramadã

8 ago 2013 12h13
| atualizado às 12h48
Publicidade

Muçulmanos em toda a Ásia celebraram nesta quinta-feira o Eid al-Fitr com festas luxuosas e serviços religiosos, num momento em que ataques a bomba deixaram mais de 52 mortos no Paquistão e Afeganistão.

Um terrorista suicida matou 38 pessoas e feriu outras 50, a maioria delas policiais que compareciam ao funeral de um colega morto nesta mesma quinta-feira na cidade paquistanesa de Quetta, um dia antes do fim oficial no país do mês de jejum do Ramadã.

No Afeganistão, por sua vez, uma explosão matou ao menos 14 pessoas quando um grupo de mulheres e jovens prestavam homenagem à falecida esposa de um líder tribal pró-governo como parte das orações do Eid.

Mais cedo, o presidente afegão, Hamid Karzai, apelou para os talibãs resistirem ao controle exercido pelos estrangeiros e disse que os militantes devem apoiar seu próprio país.

"Vocês estão trabalhando para os outros, armas (estrangeiras) são colocadas em seus ombros, e pessoas afegãs inocentes estão sendo mortas por isso, casas são destruídas", disse em seu discurso por ocasião do festival.

A explosão na província paquistanesa do Baluquistão coroou um Ramadã sangrento para o país, onde ao menos 11 ataques mataram mais de 120 pessoas.

Também ocorreram distúrbios na Tailândia, onde nesta quinta-feira a polícia utilizou canhões de água para evitar que dezenas de muçulmanos Rohingya provenientes de Mianmar deixassem um centro de detenção para celebrar o fim do Ramadã, disseram autoridades.

Cerca de 261 Rohingyas que pediam asilo quebraram os cadeados de duas celas e então tentaram danificar a porta da frente do centro de detenção, localizado na província de Phang Nga, onde muitos estão detidos há meses, disse a polícia à AFP.

Uma autoridade local afirmou que os homens Rohingya queriam sair "para realizar orações para Hari Raya" - como o festival do Eid, que marca o fim do mês sagrado muçulmano, é conhecido localmente.

Milhares de muçulmanos Rohingyas - incluindo mulheres e crianças - fugiram desde o início dos confrontos entre muçulmanos e budistas, há um ano, no estado de Rakhine, no oeste de Mianmar.

Na Ásia, a Indonésia foi um dos primeiros países do mundo islâmico a lançar as celebrações do Eid, mas temores de novos ataques contra locais budistas levaram a uma forte operação de segurança dias após o atentado contra um templo.

Na semana passada ocorreu um êxodo em diversas cidades no país, que conta com a maior população muçulmana do mundo, com as pessoas viajando de carro, barcos e aviões em direção as suas casas para se encontrar com suas famílias em todo o arquipélago de mais de 17.000 ilhas.

Enquanto a maioria dos indonésios celebrava, a minoria budista do país vivia um momento de ansiedade, após o ataque contra o templo em Jacarta ocorrido no domingo.

Uma pessoa ficou ferida quando uma pequena bomba explodiu no templo Ekayana no momento em que centenas rezavam. O ataque aparentemente foi motivado pela raiva devido à situação dos Rohingya, perseguidos pela maioria budista em Mianmar.

"Os templos budistas são um dos principais locais que estamos protegendo", afirmou o porta-voz da polícia nacional, Ronny Sompie, à AFP.

Autoridades islâmicas da Malásia, por sua vez, convocaram os muçulmanos a fortalecer a unidade da nação, meses após eleições controversas nas quais o partido muçulmano malaio garantiu sua permanência no poder.

O primeiro-ministro do país, Najib Razak, deve receber até 80 mil convidados quando abrir sua residência oficial para celebrar o fim do mês de jejum.

Muçulmanos na Austrália estavam entre os que celebram o Eid nesta quinta-feira, junto com a Malásia e as Filipinas, que devem ser seguidas pelos Estados do Golfo. O Paquistão está entre os países que devem iniciar a festa apenas na sexta-feira.

Na Síria, por sua vez, ao menos 4.420 pessoas morreram neste mês de jejum muçulmano, dois terços delas de combatentes de ambos os lados, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos.

Em comparação com agosto do ano passado, quando 5.440 pessoas faleceram - em sua maioria civis -, o número de vítimas fatais caiu neste Ramadã.

Dos 4.420 mortos, 1.386 eram civis, 64 desertores que se uniram aos rebeldes e 1.172 civis que pegaram em armas no campo da oposição.

Entre os civis mortos, 302 eram crianças, disse o grupo.

Outros 485 mortos eram jihadistas estrangeiros que se uniram aos rebeldes, 1.010 eram integrantes das tropas legalistas e 211 eram membros da Força de Defesa Nacional paramilitar, informou.

Além disso, outras noventa e duas vítimas fatais ainda não foram identificadas, completou.

Em Pequim, chineses muçulmanos Hui trocaram doces e receberam bênçãos na mesquita histórica de Nijuie, construída no século X.

Muitos dos cerca de 40 milhões de muçulmanos chineses vivem nas regiões de Ningxia e Xinjiang, no leste do país, que no mês passado viveram sua pior onda de violência étnica dos últimos anos, que deixou pelo menos 35 pessoas mortas.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
Publicidade