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Kim Jong-il, o líder que fez da Coreia do Norte um enigma nuclear

19 dez 2011
05h40
atualizado às 11h51

Kim Jong-il, morto no último sábado aos 69 anos, esteve à frente da única dinastia comunista hereditária do mundo durante 17 anos, nos quais transformou seu país em uma ameaça nuclear tão hermética quanto empobrecida. Se seu pai e fundador da Coreia do Norte, Kim Il-sung, era o "grande líder" e "presidente eterno", Kim Jong-il foi o "amado líder" dos norte-coreanos, aos quais governou com mão de ferro e um sólido aparelho de propaganda desde 1994.

Kim Jong-il morreu no último sábado, aos 69 anos, mas sua morte só foi anunciada nesta segunda-feira
Kim Jong-il morreu no último sábado, aos 69 anos, mas sua morte só foi anunciada nesta segunda-feira
Foto: AP

Durante seu regime ditatorial, baseado na glorificação de sua pessoa e na de seu pai, o "amado líder" se consolidou como um estrategista desafiante e anacrônico que, apesar de uma economia destroçada, erigiu seu país em uma potência atômica. Com ele, a Coreia do Norte também viveu alguns breves períodos de distensão com Coreia do Sul e Estados Unidos, mas sempre truncados por repentinos testes nucleares ou lançamentos de mísseis de um regime tão hermético quanto desafiador.

A apoplexia sofrida há três anos deixou sequelas visíveis, e a isso se somaram o diabetes e os problemas cardíacos de que supostamente também sofria. Uma saúde delicada que, no entanto, não impediu que Kim realizasse em 2011 duas longas viagens, uma a Pequim e outra ao leste da Rússia, em seu trem blindado (evitava o avião por seu medo de voar), ambas possivelmente programadas para falar com os dirigentes destes dois países sobre o processo de sucessão, segundo os analistas. E foi justamente em um trem onde o ditador, segundo a televisão estatal norte-coreana, morreu neste sábado por causa de "fadiga física e mental".

Acredita-se que Kim Jong-il tenha nascido no dia 16 de fevereiro de 1941 na Sibéria, onde sua família se exilou durante a Segunda Guerra Mundial e em cujos registros figuraria com o nome de Yuri Ilsungyevichi Kim. Sua biografia oficial, no entanto, afirma que foi na montanha sagrada norte-coreana de Paektu em 1942 - exatos 30 anos depois do nascimento de seu pai - e que foi acompanhado de um duplo arco-íris e uma nova estrela no céu.

Após a graduação, assumiu os departamentos de cultura e propaganda do Partido dos Trabalhadores, onde foi escalando postos conforme recebia formação política. Em 1980, foi realizado um Congresso do partido no qual Kim foi designado oficialmente o sucessor de seu pai e membro do Comitê Central e do Comitê Militar da formação. Mas o primeiro posto de poder real lhe chegaria em 1991, quando assumiu as Forças Armadas como Comandante Supremo. Três anos mais tarde, em julho de 1994, seu pai faleceu e ele se transformou no novo líder dos norte-coreanos, embora formalmente todos os poderes do país stalinista foram assumidos após outros três anos de luto confuciano.

Considerado impaciente e excêntrico, amante da boa mesa e do álcool, Kim Jong-il também ganhou fama de mulherengo, embora sua vida particular tenha transcorrido envolta em mistérios. Segundo um livro publicado em 2003 pelo que foi um de seus cozinheiros, o japonês Kenji Fujimoto, o líder norte-coreano organizava grandes banquetes e extravagantes festas nas quais não faltavam sushi, caviar e vinho de sua adega, de perto de 10 mil garrafas. Kim também foi um reconhecido amante do cinema e conta, segundo várias de suas biografias, com uma enorme videoteca com milhares de filmes de ação e espionagem.

O líder norte-coreano teve três filhos homens e pelo menos quatro filhas de mulheres diferentes. Seu primogênito, Kim Jong-nam, é filho da atriz Sung Hye-rim, enquanto a mãe de seus outros dois filhos, Kim Jong-chol e Kim Jong-un, é a dançarina Ko Young-hi.

EFE   
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