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Indianos procuram detetives para investigar noivos antes de casamento

8 mar 2013
06h04
atualizado às 08h01
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Na Índia, onde as famílias recorrem a detetives profissionais para averiguar as finanças de um possível cônjuge, o casamento poderia ganhar uma nova máxima: o que um detetive uniu, o homem não separa.

O casamento não é indiferente às profundas mudanças sociais que o país asiático experimenta e, por isso, cada vez mais casais firmam suas relações através de site da internet - como o Shaadi, que assegura já ter fechado mais de 2 milhões de uniões.

Além disso, o processo de migração às grandes cidade e as mudanças relacionadas ao trabalho desarticulam o tecido social que rodeava o casamento na Índia, onde costuma representar, mais do que uma união entre duas pessoas, uma união entre duas famílias, já que 90% dos matrimônios continuam sendo arranjado.

"Há 20 anos, os familiares e amigos exerciam o papel de intermediários e, por isso, davam prioridade às referências", afimou à agência EFE Ajit Singh, diretor da agência de detetives Hatfield, situada em Nova Délhi.

"No entanto, agora já não é mais assim. Nós que exercemos essa importante função", completou Singh, que, ao lado de 30 detetives em sua agência, investiga aproximadamente 20 casos pré-matrimornial por mês.

Segundo o detetive, atualmente as investigações pré-matrimoniais crescem em um ritmo de 30% ao ano. "Queria saber quem estava desejando casar com minha irmã", explicou Amitabh Sihag, administrador de uma empresa de cimento em Nova Délhi e um dos clientes da agência de Singh.

"Não somos da capital e não conhecemos bem as demais famílias daqui", continuou Sihag, 40 anos, que acrescentou: "Em uma semana, nós já tínhamos toda a informação do rapaz e de sua família, ou seja, tudo que precisávamos saber".

A reputação do possível cônjuge e seus parentes é a principal preocupação dos clientes das agências de detetives, seguida pela situação financeira e dos hábitos das pessoas: se são religiosos, vegetarianos ou se fumam e bebem álcool. "O dinheiro você consegue ganhar, mas a reputação não", explicou o detetive ao justificar o interesse dos indianos nas agências de detetives.

No entanto, ao contrário do que os clientes defendem, o principal motivo de ruptura do compromisso matrimonial é a mentira em relação à situação financeira, segundo várias agências de detetives, que calculam que 25% das investigações encontram informações capazes de interromper um casamento.

Os detetives também são muitos procurados para descobrir a verdadeira data de nascimento dos pretendentes, que costumam mentir neste aspecto para melhorar seu horóscopo, item fundamental em um casamento na Índia, já que o sacerdote hindu decide se o casamento é propício ou não, além do dia e da hora da união, através dele. "Para algumas famílias mentir sobre a data de nascimento é um autêntico crime. Imperdoável", apontou o detetive.

Outra inusitada questão também é muito investigada pelos detetives. De acordo com Sanjay Kapoor, da agência Ascon, a família da namorada quase sempre busca uma investigação para conhecer a personalidade da possível sogra. Isso porque, na Índia, a esposa deve se mudar para casa da família do marido e, por isso, acaba tendo que seguir as ordens da sogra. Por outro lado, a família do namorado costuma se interessar pelos hábitos sexuais da possível esposa - como a autenticidade da virgindade, por exemplo.

Conhecer os segredos de uma pessoa antes de se casar possui um custo entre US$ 300, da investigação mais básica, até os US$ 2 mil, de uma mais complexa. De acordo com os detetives, a investigação sempre é iniciada pelas pessoas do entorno familiar: o cozinheiro, o motorista, o jardineiro e os comerciantes mais próximos.

"Os trabalhadores de uma família sabem de tudo sobre eles. São os melhores informantes que temos", revelou Singh, que completou: "Em alguns casos, encontramos segredos mais obscuros, como o filho de uma reputada família que exercia a função de gigolo. Foi um choque para a família da namorada".

Segundo as agências, 70% dos casos investigados são de casamentos arrumados e 30% por amor. No entanto, a maioria das investigações são ordenadas pelas famílias e, em muitas ocasiões, sem que os filhos saibam.

"Nunca disse a minha irmã que tínhamos investigado aquele que hoje é seu marido", afirmou Sihag. "Fizemos muito bem, já que hoje ela vive feliz, possui dois filhos com ele e nunca teve uma má surpresa", completou.

EFE   
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