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Índia declara guerra ao popular tabaco de mascar

19 set 2012
10h09
atualizado às 10h35

Por causa dos problemas de saúde que estão relacionados ao tradicional hábito de mascar tabaco, as autoridades da Índia decidiram proibir a venda e produção do "gutka" em grande parte do país, uma medida que pode acabar com este popular produto.

Recentemente, o governo de Nova Délhi resolveu aderir à proibição que já era oficial em mais de uma dúzia de estados do país, que representam metade de seu 1,2 bilhão de habitantes.

O "gutka", que é comercializado em pequenos envelopes e exposto em longas tiras nas ruas, é uma mistura de tabaco e outras substâncias estimulantes, incluindo menta, açúcares e especiarias como cardamomo e catechu.

Às vezes, essa mistura também conta com noz de betel, um ingrediente que deixa os dentes de quem consome com uma tonalidade avermelhada, assim como a saliva, o que acaba colorindo os meio-fios das ruas das cidades indianas.

O baixo preço do "gutka", que chega a custar menos de R$ 0,05, faz do prejudicial tabaco o preferido dos indianos, principalmente entre as classes humildes e trabalhadoras.

Segundo dados oficiais, a Índia registra anualmente cerca de 80 mil casos de câncer bucal, sendo que a receita que as autoridades locais recebem pelos impostos relacionados com o tabaco não atenua as despesas para o tratamento desse tipo de doença.

"O 'gutka' e outros produtos (de mascar) contêm paan masala, nicotina e partículas de tabaco, ou seja, são muitos prejudiciais à saúde", disse nesta segunda-feira o ministro da Saúde de Nova Délhi, A.K. Walia, um dia antes de oficializar a proibição na capital indiana.

Apesar da polêmica, devido ao grande número de consumidores, essa decisão ganhou respaldo em uma lei aprovada em 2011 pela Autoridade de Regulação Alimentar da Índia e foi aplaudida por diversas organizações sociais e de saúde. Neste aspecto, as repercussões negativas ficaram por conta dos comerciantes e dos produtores.

Algumas companhias alegam que o veto à produção do "gutka", que também é exportado para outros países, pode afetar milhões de agricultores indianos, enquanto os vendedores consultados pela agência EFE lamentaram a redução em suas receitas.

"A proibição é positiva e vai contribuir para que haja menos sujeira na cidade e evitar as doenças que causa. Mas, por outro lado, acabará com nossas receitas", lamentou à EFE o vendedor Shiv Narayan.

"Aproximadamente 50% dos consumidores de tabaco que se aproximam da minha venda estão à procura de 'gutka'", completou Narayan.

Já Pankaj Singh, um outro comerciante local, levantou outro tipo de problema que essa proibição pode acarretar: o do negócio clandestino do "gutka" no país, já que milhões de pessoas costumam mascar diariamente esse tipo de tabaco na atualidade.

Segundo um estudo oficial de 2010, 34,6% dos adultos indianos, em sua maioria homens, consome alguma forma de tabaco, sendo que o mais habitual deles é aquele que não se fuma, ou seja, o "gutka" (três quartos do total de consumidores).

"Quero deixar de mascá-lo, mas não posso. É uma dependência. Não gosto de usar o 'gutka', mas, como nosso trabalho é muito duro, eu acabo mascando", contou à EFE o jovem sapateiro Jaipal Mandrai.

"Não vou conseguir parar imediatamente. Terei que mascar outra coisa", afirmou Manoj Kumar, outro jovem consumidor. Já seu chefe, um fumante compulsivo de cigarro, declarou estar muito contente com a proibição do "gutka", já que seu funcionário, um vendedor de roupa, poderá trabalhar melhor.

"Quando ele mastiga 'gutka' fica com a boca cheia e não consegue gritar para atrair os clientes. Agora ele conseguirá", brincou.

EFE   

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