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ONG denuncia estupros e torturas contra prostitutas na China

14 mai 2013
08h49
atualizado às 09h23
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Os homens e mulheres que se prostituem na China são tratados pelas autoridades como se não tivessem direitos e são alvos de torturas, estupros e prolongadas prisões arbitrárias em "campos de reeducação", denunciou a ONG Human Rights Watch (HRW) em um relatório publicado nesta terça-feira.

"Os trabalhadores do sexo são tratados como se não tivessem direitos", afirmou Sophie Richardson, responsável pelo setor chinês da HRW durante a apresentação do estudo em Hong Kong. "Em vez de serem protegidos pela polícia, os profissionais do sexo sofrem com frequência maus-tratos e torturas em detenção" e alguns são enviados sem nenhum tipo de julgamento aos chamados "campos de reeducação pelo trabalho em períodos de até dois anos", acrescentou.

"Me espancaram e me deixaram com o corpo cheio de hematomas porque me negava a reconhecer que me prostituía", relatou à HRW uma mulher identificada como Xiao Yue. Outra mulher foi amarrada em uma árvore junto com outras duas prostitutas, foi espancada e recebeu água gelada no corpo.

Muitas vítimas dos abusos policiais temem denunciar os maus tratos. "Me estupraram muitas vezes, mas como sou prostituta e propor serviços sexuais é algo ilegal, podem me deter. Por isso nunca quis apresentar uma denúncia", explicou uma das prostitutas, chamada de Mimi.

Segundo Richardson, na China houve "um crescimento impressionante da prostituição" desde o início das reformas econômicas no fim dos anos 1970. Atualmente entre 4 e 6 milhões de pessoas se prostituem, em sua maioria das classes mais humildes. A ONG, com sede em Nova York, realizou sua investigação entre 2008 e 2012, com testemunhos de 75 profissionais do sexo, principalmente em Pequim.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 

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