
O dissidente chinês Chen Guangcheng, que é cego, concordou em ficar na China para proteger a família após receber ameaças de que a mulher dele seria espancada até a morte se ele deixasse o país. A ativista Zeng Jinyan, uma amiga de Chen, disse à AP nesta quarta-feira que havia acabado de conversar com o dissidente, que está internado em um hospital de Pequim com a mulher e os filhos.
Segundo Zeng, Chen afirmou que queria sair do país, mas foi forçado a aceitar o acordo. Ele decidiu ficar na China e estudar Direito para proteger a família, disse Zeng, que não informou quem propôs o acordo.
Mais cedo nesta quarta-feira, Chen Guangcheng deixou a embaixada dos Estados Unidos em Pequim após receber concessões de autoridades do regime comunista. Chen saiu da embaixada rumo a um hospital de Pequim na companhia do embaixador dos EUA, Gary Locke.
A chancelaria chinesa criticou a interferência americana no caso, e disse que Chen deixou a embaixada por vontade própria. O ativista chegou à sede da diplomacia dos EUA em 21 de abril, mas não solicitou asilo ou salvo-conduto para ir ao país, segundo uma autoridade americana.
- O dissidente chinês Chen Guangcheng com a mulher, Yuan Weijing, e o filho, Chen Kerui, em foto sem data. Chen Guangcheng fugiu da prisão domiciliar e se refugiou na embaixada americana em Pequim, onde ficou por alguns dias até fazer um acordo com a China. O episódio abalou as relações diplomáticas entre os dois países Foto: AP
- O secretário adjunto de Estado americano, Kurt Campbell, abraça Chen Guangcheng antes de ele deixar a embaixada em Pequim Foto: AP
- Chen Guangcheng aperta a mão do embaixador americano em Pequim, Gary Locke (dir.), sob aplausos do conselheiro legal do Departamento de Estado dos EUA, Harold Koh Foto: AP
- O dissidente chinês posa com autoridades americanas antes de deixar a embaixada após um acordo com a China Foto: AP
- Chen Guangcheng usa muletas ao andar ao lado do subsecretário de Estado americano, Kurt Campbell Foto: AP
- O dissidente cego chinês Chen Guangcheng, que fugiu da prisão domiciliar, em foto sem data divulgada Foto: Reuters