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Ásia

Chuvas de monção deixam quase 600 mortos no norte da Índia

22 jun 2013 - 09h34
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As equipes de resgate trabalham contra o tempo neste sábado para salvar as milhares de pessoas que permanecem ilhadas no norte da Índia devido aos deslizamentos de terra e às inundações provocadas pelas chuvas de monção, que já causaram 600 mortes.

Os bombeiros resgataram corpos que flutuava no rio Ganges, enquanto cerca de 63.000 pessoas, a maioria turistas e peregrinos, permanecem isolados ou desaparecidos depois que as chuvas torrenciais atingiram o estado himalaio de Uttarakhand, segundo as autoridades.

"O Exército localizou 575 corpos (...) flutuando na água ou sepultados sob a neve, mas este número irá aumentar, com certeza. Calculamos que 62.790 pessoas estão isoladas", indicou à AFP Om Prakash, ministro do Interior de Uttarakhand.

A cheia dos rios varreu casas, edifícios e aldeias inteiras e destruiu pontes e estradas estreitas que levavam a locais de peregrinação neste estado montanhoso, conhecido como a "Terra dos Deuses" por seus famosos templos hindus.

Uma equipe de sete médicos e autoridades viajou para Kedarnath, importante local de peregrinação hindu, "para recuperar os corpos", indicou Prakash.

Quase uma semana após o início das chuvas, dezenas de helicópteros e milhares de soldados foram mobilizados para participar das operações de resgate.

No entanto, as equipes de resgate esperam a chegada de mais chuva torrencial no domingo no estado e na região central da Índia.

"É uma verdadeira corrida contra o tempo", declarou Ajay Chaddha, chefe da unidade do Exército que supervisiona as operações de resgate em Uttarakhand, citado pelo jornal Times of India.

O Indian Express indicou que as equipes de resgate dispunham de um "curto prazo de 48 horas" para suas operações antes da chegada de mais chuva no domingo à noite.

Um grupo de 20 turistas, incluindo seis americanos, que acabou preso perto de uma geleira foi resgatado neste sábado.

"Eles estavam em uma excursão a pé, mas foram surpreendidos por deslizamentos de terra e inundações. O helicóptero pousou no local e todos estão seguros", relatou à AFP Khairwal Neeraj, uma autoridade de Pittorgarh.

Neste sábado, o Exército também conseguiu entrar em contato com cerca de 1.000 pessoas isoladas nas montanhas perto de Kedarnath, informou a televisão NDTV.

"Esse tipo de catástrofe nunca aconteceu na história do Himalaia", ressaltou Vijay Bahuguna, chefe de governo de Uttarakhand, que acusou os serviços de meteorologia indianos (IMD) de não terem lançado o alerta apropriado para a chegada antecipada das chuvas de monção.

Nos arredores do aeroporto de Dehradun, parentes dos desaparecidos espalham fotos e cartazes e esperam há dias por notícias de seus entes queridos.

Amit Thakur, de 40 anos, conta que seu sobrinho de 11 anos está desaparecido desde a semana passada.

"Eu só espero que o Exército encontre o nosso pequeno. Estou esperando nos portões do aeroporto há pelo menos três dias para conseguir alguma informação sobre ele", disse Thakur.

No total, cerca de 10.000 soldados apoiados por 50 helicópteros foram mobilizados para os trabalhos de busca na cidade santa de Badrinath.

"Milhares de turistas esperam nas densas florestas. Eles buscaram refúgio na selva após a destruição das pousadas e hotéis em que estavam hospedados", relatou o secretário de Estado, Rakesh Sharma.

Outras 17 pessoas morreram no estado vizinho de Himachal Pradesh, segundo as autoridades.

No Nepal, o saldo é de 39 mortos, segundo o governo.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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