atualizado às 10h14

China: Castro quebra protocolo e perde a voz com canções maoístas

Raúl Castro participa de encontro com autoridades chinesas em Pequim; o cubano quebrou o protocolo com sua homenagem a Mao Foto: AP
Raúl Castro participa de encontro com autoridades chinesas em Pequim; o cubano quebrou o protocolo com sua homenagem a Mao
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Em sua visita a Pequim, o presidente cubano, Raúl Castro, quebrou o restrito protocolo chinês ao confessar aos líderes do país asiático que tinha ficado sem voz depois de cantar canções maoístas em um banquete oferecido pelo líder Hu Jintao.

"Estou com a voz um pouco debilitada porque cantei muito no banquete com o presidente da China. Pelo menos, tenho a satisfação de dizer que foi por um nobre propósito", afirmou Castro antes de seu encontro com o vice-primeiro-ministro, Li Keqiang, e com o ministro das Relações Exteriores, Yang Jiechi, realizado nesta sexta-feira.

No banquete, que foi realizado na noite de ontem no Grande Palácio do Povo (o mesmo lugar do encontro com Keqiang e Jiechi), Castro cantou a célebre canção maoísta "O Leste é Vermelho" em mandarim, como já havia feito em Havana, quando a ilha foi visitada pelos líderes comunistas chineses.

"Aprendi essa canção há 60 anos, quando tinha 21, em um Congresso na Áustria no ano de 1953", lembrou o líder cubano na reunião, realizada no salão Xinjiang do Grande Palácio do Povo, junto à Praça da Paz Celestial.

"O Leste é Vermelho" é uma das canções mais famosas de louvor a Mao. Em alguns momentos de seu regime, a música foi usada como o hino nacional oficial da China e, por conta de sua popularidade, se estendeu a outros países comunistas, assim como os cantos marxistas. "O leste é vermelho, o sol sai, na China nasceu Mao Tsé-tung", diz o primeiro verso da canção, que também intitula muitos filmes e, inclusive, os satélites que o país asiático lançou nos últimos 40 anos.

Acordos
Castro reuniu-se nesta sexta-feira com os futuros líderes da China, o vice-presidente Xi Jinping e o vice-primeiro-ministro Li Keqiang, um dia após ter conseguido no país importantes acordos de cooperação financeira e em outros setores.

Xi, quem em outubro será nomeado secretário-geral do Partido Comunista da China e em março de 2013 assumirá a presidência do país, substituindo Hu Jintao em ambos os cargos, encontrou Castro na Residência de Chefes de Estado de Diaoyutai, onde também ofereceu um banquete em homenagem ao líder cubano.

Embora o encontro tenha sido importante para pavimentar os laços entre Cuba e a quinta geração de líderes comunistas chineses, que serão liderados por Xi, esta não é a primeira vez que os dois líderes se reúnem. Os dois se conheceram durante a viagem oficial do vice-presidente chinês para ilha caribenha em junho do ano passado.

Antes do encontro com Xi, Castro se reuniu com o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, e com seu sucessor, o vice-primeiro-ministro Li Keqiang.

"A China dá uma grande importância ao desenvolvimento das relações com Cuba, a partir de um ponto de vista estratégico e de longo prazo", ressaltou Li em seu encontro com Raúl Castro.

A sexta-feira foi marcada por gestos de aproximação e amizade entre os líderes dos regimes comunistas, enquanto o dia de ontem foi uma jornada mais pragmática, quando as duas nações assinaram oito acordos bilaterais de ajuda financeira e técnica da China para Cuba.

Para alguns observadores, a viagem serviu para construir pontes de cooperação entre Cuba e China, segundo parceiro comercial da ilha após a Venezuela. A visita teria como objetivo justamente diminuir a dependência do país caribenho em relação ao regime de Hugo Chávez.

Raúl Castro, 81 anos (quatro a menos de que seu irmão Fidel, a quem sucedeu como presidente da ilha caribenha, em 2008), finalizará amanhã sua viagem de quatro dias a Pequim e depois irá para o Vietnã, país que realizou uma reforma econômica parecida com a da China e onde Cuba buscará apoio e inspiração. O Vietnã se destaca por ser o principal exportador de arroz para Cuba, alimento essencial para a ilha.

Esta é a primeira viagem de Castro aos dois países na qualidade de líder máximo do regime cubano. No entanto, ele já esteve na China em 1997 e 2005, em ambas as ocasiões para estudar a reforma econômica sem abertura política chinesa, e agora para conseguir o apoio de Pequim para as atuais mudanças em Cuba.

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