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Bangladesh conclui trabalho de resgate de vítimas em prédio que desabou

14 mai 2013
08h46
atualizado às 08h50

Bangladesh finalizou as buscas por corpos no complexo têxtil que desabou há três semanas, a pior tragédia industrial do país, em meio às tensões trabalhistas e promessas de melhora na situação dos trabalhadores do setor.

As equipes de resgate, dirigidas por militares, deram ontem à noite pro concluídos os trabalhos de busca de corpos após terem encontrado 1.127 mortos e nesta manhã passaram oficialmente o controle do lugar do acidente à administração local.

"Promotemos que continuaríamos a missão de resgate até encontrar o último corpo. Agora não há mais possibilidades de achar mais cadáveres", disse o general Chowdhury Hassan Suhrawardy, ao jornal "The Daily Star".

O pior acidente industrial do país asiático deixou 2.438 pessoas feridas que foram resgatadas com vida, enquanto 98 pessoas continuam desaparecidas, segundo as equipes de remoção de escombros, de acordo com o jornal.

O edifício de nove andares acolhia cinco oficinas têxteis que produziam para multinacionais ocidentais e desabou em 24 de abril em Savar, uma cidade próxima a Daca.

A tragédia evidenciou a exploração e as péssimas condições trabalhistas dos empregados e levou às autoridades e companhias a anunciarem medidas após os protestos dos trabalhadores.

No distrito comercial de Ashulia, próximo a Daca, cerca de 20 fábricas continuam fechadas após os protestos dos últimos dias realizados por empregados que exigem um aumento de salário.

"Estas fábricas seguirão fechadas por um tempo indefinido até que a situação se acalme", disse à Agência Efe Shahidulá Azil, vice-presidente da Associação de Manufatureiros e Exportadores Têxteis (BGMEA), órgão que ordenou o fechamento.

A fonte explicou que hoje não aconteceram protestos, mas que a situação continuava sendo tensa.

Milhares de empregados não receberão salários durante o tempo que dure o fechamento.

O Governo de Bangladesh anunciou planos para aumentar o salário mínimo dos quatro milhões os trabalhadores do têxtil, que hoje é de US$ 38 mensais para os postos menos qualificados, o que os transforma nos trabalhadores do setor mais mal pagos do mundo.

Uma comissão integrada por representantes governamentais, das fábricas e líderes sindicais, fará uma série de recomendações em um prazo de três meses.

O aumento do salário mínimo entrou em vigor com efeito retroativo desde 1 de maio.

O Executivo também aprovou emendas à Lei Laboral de 2006, que inclui o direito a criar sindicatos sem a permissão das fábricas ou a obrigatoriedade de um seguro médico e de vida para os trabalhadores.

A reforma será introduzida no Parlamento nacional em um prazo de dois meses, segundo fontes governamentais.

Inditex, H&M, PVH, Tchibo C&A, Primark e Tescose se comprometeram a assinar um Acordo sobre Segurança e Contra Incêndios, promovido junto com o sindicato global UNI, para evitar novas tragédias nas fábricas têxtil.

O acordo, que tem uma duração de cinco anos, promove as inspeções independentes de segurança no setor têxtil e a difusão pública de seus resultados, assim como consertos e renovações obrigatórias com o objetivo de garantir a segurança nos oficinas têxteis.

Nos últimos sete anos, cerca de 1.800 trabalhadores morreram em fábricas têxteis no país, segundo a Organização Internacional Fórum de Direitos, um grupo americano que defende os direitos humanos.

EFE   

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