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Artilharia norte-coreana abre fogo contra ilha sul-coreana

23 nov 2010
05h15
atualizado às 10h21
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A Coreia do Norte disparou nesta terça-feira quase 50 peças de artilharia contra uma ilha sul-coreana, que mataram dois soldados e deixaram outros 13 feridos, provocando uma resposta imediata da Coreia do Sul e um aumento da tensão após a revelação de um novo programa de enriquecimento de urânio de Pyongyang.

Coreia do Norte abre fogo contra Coreia do Sul

Segundo o canal YTN, quase 50 obuses caíram na ilha de Yeonpyeong, que tem mil habitantes, localizada no Mar Amarelo, em uma área disputada pelas duas Coreias e que já registrou incidentes no passado. Um oficial da Marinha sul-coreana morreu e 13 ficaram feridos, anunciou o Estado-Maior da Coreia do Sul.

Os disparos foram executados dois dias depois que um cientista americano revelou a existência de um novo programa de enriquecimento de urânio na Coreia do Norte, o que aumentou a tensão e a preocupação de Washington e de seus aliados.

A China manifestou preocupação com o ataque e qualificou de "imperativa" a necessidade de retomada das negociações multilaterais - que envolvem as duas Coreias, Estados Unidos, Rússia, Japão e China. A Rússia advertiu para o risco de uma "escalada" na península coreana.

O Estado-Maior sul-coreano confirmou que várias peças de artilharia atingiram a ilha, que tem a presença de um destacamento militar, e outras caíram no mar.

Os militares sul-coreanos responderam aos disparos do país vizinho, anunciou o ministério da Defesa de Seul, que determinou alerta máximo a suas tropas.

"Uma unidade de artilharia executou disparos de provocação às 14h34 (3h34 de Brasília) e as tropas sul-coreanas responderam imediatamente", afirmou à AFP uma fonte do ministério.

As forças sul-coreanas responderam com 80 disparos, segundo o ministro da Defesa, Kim Tae-Young. "As Forças Armadas estavam executando exercícios navais e o Norte parece ter disparado para demonstrar sua oposição", declarou uma fonte militar ao canal YTN. A Força Aérea sul-coreana recebeu a ordem de sobrevoar a ilha.

O presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-Bak, convocou uma reunião de emergência. "Agora mesmo está em uma sala subterrânea para abordar as respostas possíveis com seus ministros e conselheiros de segurança", afirmou o porta-voz da presidência.

"O presidente Lee ordenou aos comandantes que administrem a situação da melhor maneira possível para evitar uma escalada", completou a mesma fonte.

Segundo um morador da ilha de Yeonpyeong, quase 50 projéteis caíram na ilha e atingiram várias casas. "Pelo menos 10 casas pegaram fogo. Recebemos a ordem de abandonar nossa casas", disse Lee Jong-Sik, outro habitante da ilha.

"Estava em casa e ouvi uma barulho muito forte do lado de fora. Quando saí, a ilha toda estava em chamas", declarou outro morador, citado pela agência de notícias Yonhap. Os habitantes foram levados para áreas consideradas seguras.

Os disparos coincidem com a presença na região do enviado americano para a Coreia do Norte, Stephen Bosworth, que deve viajar de Tóquio a Pequim nesta terça-feira para debater com as autoridades chinesas a política nuclear norte-coreana, depois das revelações de uma nova usina de enriquecimento de urânio de Pyongyang.

A ilha de Yeonpyeong fica ao sul da linha de fronteira decretada pela ONU após a Guerra da Coreia (1950-1953), mas fica ao norte da linha reivindicada por Pyongyang. Na mesma região foram registrados graves incidentes navais em 1999, 2002 e novembro de 2009.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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